Camisa do Brasil para a Copa de 2026 é a mais cara entre países campeões
Camisa do Brasil para Copa 2026 é a mais cara

A nova camisa da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, vendida pela Nike por R$ 749,99, é a que mais pesa no bolso dos torcedores entre os oito países que já venceram o torneio. Uma análise da BBC News Brasil comparou o preço dos uniformes oficiais com a renda média da população de Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Argentina e Uruguai.

Comparação com a renda média

No Brasil, o valor corresponde a cerca de 17,5% da renda média mensal per capita, segundo o Banco Mundial, calculada em US$ 859 (aproximadamente R$ 4.289). Esse cálculo considera o Produto Interno Bruto (PIB) do país convertido em dólares e dividido pelo número de habitantes. Já pelo IBGE, que usa a renda líquida da PNAD Contínua, a renda média mensal é de R$ 3.367, o que faria a camisa comprometer 22,2% da renda. A reportagem adotou os dados do Banco Mundial para garantir uma base única de comparação entre os países.

Se o cálculo levasse em conta o salário mínimo, o preço da camisa equivaleria a 46,3% do valor total recebido por mês no Brasil. No entanto, essa comparação tem limitações, pois enquanto no Brasil cerca de um terço dos trabalhadores recebem salário mínimo, na Alemanha apenas 6% da população ganha o piso salarial legal.

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Alemanha é o país mais barato

Entre os países campeões mundiais, os preços mais altos proporcionalmente à renda estão nos três sul-americanos. Nas nações europeias, os torcedores não gastam mais de 5,9% da renda média mensal. A camisa representa 3,7% da renda de um alemão, 4% da de um inglês, 4,8% da de um francês, 5,2% da de um italiano e 5,9% da de um espanhol. Na Argentina, é preciso gastar 9,2% da renda média mensal, e no Uruguai, 9,9%. Embora esses percentuais sejam bem mais altos que os europeus, ainda ficam cerca de 8% abaixo do valor brasileiro.

Preço absoluto e tecnologia

Em valores absolutos convertidos para dólares, a camisa brasileira aparece como a segunda mais barata (US$ 149,1), atrás apenas da Argentina (US$ 107,5). No entanto, quando se considera a renda, o Brasil dispara como o país mais caro. A comparação foi feita com dados do Banco Mundial e das lojas oficiais da Nike e Adidas, considerando as camisas de jogador, que possuem tecnologia de ventilação. A Nike não respondeu aos questionamentos sobre os fatores que impactam a precificação.

Variação de preço acima da inflação

O preço da camisa sempre foi alto no Brasil. Em 1998, custava R$ 84, representando 64,6% do salário mínimo da época (R$ 130). Corrigido pelo IPCA, esse valor equivaleria hoje a R$ 438, ou seja, R$ 312 a menos que o preço atual. Entre as Copas de 2014 e 2018, o aumento foi de 36,7%; entre 2018 e 2022, de 55,6% (de R$ 449,90 para R$ 699,99), enquanto o IPCA acumulado foi de 29,1%. Para 2026, o aumento foi de 7,1% (de R$ 699,99 para R$ 749,99), ainda acima da inflação acumulada, que indicaria um preço máximo de R$ 735.

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