Bancos brasileiros adotam estratégia de cautela para 2026 em meio a incertezas
Os maiores bancos do Brasil estão freando a concessão de empréstimos e mirando clientes de alta renda como principal estratégia para proteger a lucratividade em 2026. O ano será marcado por incertezas políticas com as eleições presidenciais, juros elevados, inadimplência recorde e perspectivas de crescimento econômico modesto.
Eleições e Selic alta ditam prudência no setor financeiro
Especialistas apontam que a eleição presidencial será o fator de maior impacto no sistema financeiro, influenciando diretamente o mercado de juros futuros. A eventual vitória de um candidato comprometido com ajuste fiscal pode abrir espaço para queda mais acentuada da Selic, enquanto cenários contrários manteriam os juros em patamar elevado.
"A eleição mexerá com o spread bancário e os custos dos empréstimos", afirma Eduardo Nishio, chefe de pesquisas da gestora Genial Investimentos. "Ela será um tema muito sensível para o setor financeiro neste ano."
Economia fraca e inadimplência recorde limitam crédito
As instituições financeiras projetam crescimento econômico de apenas 1% em 2026, abaixo dos 2% estimados para 2025. Paralelamente, o Brasil encerrou 2025 com números alarmantes:
- 81,2 milhões de endividados
- 50% da população inadimplente
- 5.680 empresas em recuperação judicial
O Banco do Brasil foi um dos que mais sentiu os impactos, com inadimplência geral saltando de 3,16% para 5,17% em apenas um ano, puxada principalmente pelo setor do agronegócio.
Alta renda se torna campo de batalha prioritário
Diante do cenário desafiador, os bancos estão migrando o foco para clientes de alta renda, que consomem mais serviços financeiros e apresentam menor risco de inadimplência. As principais instituições já traçaram suas estratégias:
- Itaú pretende repetir crescimento de 15% na base do Personnalité
- BTG Pactual projeta expansão de pelo menos 30% em wealth management
- Bradesco busca alcançar 800 mil clientes na marca Principal
- Banco do Brasil planeja aumentar de 28 para 34 escritórios de private bank
Segmentos seguros e tecnologia como diferenciais competitivos
Os bancos também estão concentrando esforços em créditos consignados lastreados em folha de pagamento, considerado um dos segmentos mais seguros. Itaú e Banco do Brasil devem travar o principal duelo por essa fatia do mercado.
Para melhorar eficiência e margens, instituições como o Bradesco estão investindo pesado em tecnologia, tendo contratado 3.000 profissionais apenas em 2025 para a área. "Não abriremos mão de investir em ganhos de competitividade", declarou Marcelo Noronha, executivo-chefe do banco.
Rentabilidade dependerá de estratégias bem executadas
Analistas projetam que o grau de sucesso na concessão criteriosa de crédito e na geração de receita com serviços ditará a lucratividade de cada instituição. Itaú e BTG Pactual aparecem como favoritos, com retorno sobre patrimônio líquido estimado acima de 20%, enquanto Santander e Bradesco devem ocupar posição intermediária.
A cautela se mostra como o melhor antídoto para que os bancos evitem que os percalços de 2026 contaminem seu desempenho financeiro, mantendo a saúde do sistema mesmo em meio a um ano de significativas incertezas políticas e econômicas.
