Ibovespa abre em alta com IPCA de 4,26% em 2025 e saída recorde da poupança
Ibovespa sobe com inflação e dados de emprego dos EUA em foco

O mercado financeiro brasileiro iniciou a sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, com otimismo cauteloso. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores B3, abriu o pregão em alta, marcando 163.919 pontos. A atenção dos investidores, no entanto, estava dividida entre indicadores econômicos domésticos e a expectativa por números do mercado de trabalho norte-americano, que podem definir os rumos da política monetária global nas próximas semanas.

Inflação e Poupança: Os Dados que Balançam o Mercado Doméstico

No cenário brasileiro, o dado mais aguardado foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O indicador oficial de inflação registrou uma alta de 0,33% em dezembro, apresentando uma aceleração significativa em relação ao avanço de 0,18% observado em novembro. Com esse resultado, a inflação acumulada ao longo de todo o ano de 2025 chegou a 4,26%.

Esse patamar se manteve abaixo do limite superior da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%. As projeções do mercado, coletadas pela Reuters, esperavam uma variação mensal de 0,35% e um fechamento do ano em 4,30%, o que coloca o resultado final muito próximo das expectativas.

Outro número que chamou a atenção e acendeu um sinal de alerta foi o desempenho da caderneta de poupança. Dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira revelaram que a aplicação mais tradicional dos brasileiros teve saídas líquidas de 85,568 bilhões de reais em 2025.

Esse montante representa um recorde negativo e marca o quinto ano consecutivo em que os saques superam os depósitos. O valor é expressivamente maior que o registrado em 2024, quando as retiradas líquidas somaram 15,467 bilhões de reais. Ao longo do ano passado, apenas três meses apresentaram entradas líquidas de recursos: maio, junho e dezembro, sendo este último responsável por um saldo positivo de 5,410 bilhões de reais.

Desempenho Misto das Ações no Pregão

No início das negociações, o desempenho das principais ações que compõem o Ibovespa foi desigual. No setor financeiro, os papéis do Itaú (ITUB4) subiam 0,13%, e o Santander (SANB11) avançava 0,06%. Em contrapartida, Bradesco (BBDC4) recuava 0,22% e o Banco do Brasil (BBAS3) registrava queda de 0,32%.

No segmento de commodities, a Vale (VALE3) liderava as perdas, com uma baixa de 1,50%, sendo cotada a 74,45 reais. A Petrobras apresentava uma leve oscilação, com as ações preferenciais (PETR3) em queda de 0,34% e as ordinárias (PETR4) com alta marginal de 0,03%.

Cenário Internacional: Acordo Comercial e Expectativa pelo Fed

No front externo, dois fatores principais influenciavam o humor do mercado. O primeiro foi um avanço significativo nas relações comerciais: os países da União Europeia aprovaram formalmente o acordo comercial com o Mercosul.

Esse passo crucial abre caminho para a assinatura do tratado, que deve ocorrer já na próxima semana, consolidando-se como o maior pacto de livre-comércio já firmado pelo bloco europeu. Os governos membros tiveram até as 13h (horário de Brasília) para formalizar seus votos por escrito. Apesar da aprovação, o acordo ainda precisará passar pela ratificação do Parlamento Europeu antes de entrar em vigor definitivamente.

O segundo ponto de atenção foi o mercado norte-americano. Os investidores aguardavam com expectativa a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos referentes a dezembro. A previsão era de uma desaceleração na criação de vagas, reflexo de uma postura mais cautelosa das empresas diante de fatores como tarifas de importação e o aumento dos investimentos em inteligência artificial.

Ainda assim, a projeção de que a taxa de desemprego poderia recuar para 4,5% reforçava a percepção de que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros inalteradas em sua reunião de política monetária deste mês, adotando uma postura de observação.

Moeda e Mercados Futuros

Às 11h da manhã, o dólar comercial era negociado a 5,36 reais. Do outro lado do mundo, os futuros das principais bolsas de Nova York operavam em território positivo, embora com altas modestas. O futuro do índice Dow Jones avançava 0,02%, o do Nasdaq subia 0,22% e o do S&P 500 registrava ganho de 0,16%.

O dia, portanto, se configurou como um daqueles em que o mercado digere uma série de informações contraditórias: inflação doméstica sob controle, mas acelerando; poupança com fuga recorde de recursos; e um cenário externo com avanços comerciais históricos, mas ainda dependente da saúde da maior economia do mundo. A combinação desses fatores explica a abertura em alta, porém sem euforia, do principal índice de ações do Brasil.