Ibovespa sobe 1,21% com alta do petróleo e expectativa de superávit comercial
Ibovespa sobe 1,21% puxado por commodities e balança

O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, registrou uma alta expressiva nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026. O movimento foi impulsionado pela valorização das commodities no mercado internacional, especialmente do petróleo, em um dia com agenda econômica local mais tranquila, onde a atenção se voltou para a divulgação dos dados da balança comercial.

Cenário Internacional e Alta do Petróleo

O mercado acionário brasileiro acompanhou o ritmo positivo das commodities globais. O petróleo Brent avançou 0,63%, sendo negociado a US$ 62,15 o barril. Essa valorização ocorre em meio às repercussões do ataque militar conduzido pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.

O evento geopolítico gerou reações internacionais. As Nações Unidas emitiram um pronunciamento forte, afirmando que a operação violou um "princípio fundamental" do direito internacional, referindo-se ao Artigo que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de um Estado. A incerteza decorrente da situação tem influenciado os mercados, causando uma queda do dólar comercial, que recuou 0,61%, para R$ 5,37, e uma fuga para ativos considerados mais seguros, como o ouro, que subiu 0,88%.

Expectativa Positiva para a Balança Comercial

No front doméstico, os investidores aguardavam com otimismo a divulgação dos números da balança comercial de dezembro, prevista para as 15h. A projeção do mercado apontava para um superávit de US$ 7,1 bilhões para o último mês de 2025.

Se confirmado, este resultado representaria um crescimento significativo de 53% em relação ao superávit registrado em dezembro de 2024. Além disso, consolidaria uma sequência positiva, visto que em novembro o saldo já havia sido favorável em US$ 5,842 bilhões.

Por volta das 11h30, o Ibovespa já acumulava uma valorização de 1,21%, atingindo 163.828,63 pontos. O setor financeiro operava em alta, mesmo observando de longe as polêmicas envolvendo o caso do Banco Master.

Controvérsia do Banco Master e Posição do BC

Em outro desdobramento do dia, o Banco Central recorreu de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinava uma inspeção relacionada à liquidação do Banco Master. A autarquia argumentou, em recurso, que o regimento interno do TCU estabelece que apenas decisões colegiadas podem ordenar inspeções em órgãos federais. Dessa forma, o BC solicitou a indicação formal de uma decisão deferida pela Primeira Turma do tribunal para validar a diligência.

Analistas destacaram que a agenda econômica local e global segue morna no curto prazo. Bruno Yamashita, analista da Avenue, comentou que a situação da Venezuela deve continuar pautando os rumos do mercado, já que não há grandes indicadores previstos para os próximos dias. "A agenda econômica deve continuar morna até a próxima quarta e quinta-feira, quando dados da economia americana e do continente europeu serão divulgados", afirmou Yamashita.

O dia, portanto, foi marcado pela combinação de um cenário internacional volátil, com alta de commodities, e uma expectativa doméstica robusta em relação ao desempenho do comércio exterior do Brasil, criando um ambiente favorável para os ativos de risco na bolsa nacional.