Ibovespa cai 0,72% após ameaças de Trump e tensões com Irã
Ibovespa recua com ameaças de Trump e tensão geopolítica

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou a sessão desta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, em nítido território negativo, refletindo um dia de cautela extrema entre os investidores globais. O indicador da B3 recuou 0,72%, fechando próximo aos 161,9 mil pontos.

Cenário Internacional: Inflação e Tensões Geopolíticas

No exterior, dois fatores principais comandaram o humor dos mercados. Por um lado, os dados de inflação nos Estados Unidos trouxeram certo alívio. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,3% em dezembro na comparação mensal, levando a inflação anualizada de 2025 a 2,7%. Embora tenha superado a meta de 2% do Federal Reserve (Fed), o resultado ficou dentro das expectativas dos economistas, evitando surpresas negativas.

Por outro lado, o cenário geopolítico aqueceu e pesou sobre o apetite por risco. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou impor uma tarifa de 25% sobre todas as importações dos EUA provenientes de países que mantêm relações comerciais com o Irã. Apesar de não ter sido um anúncio oficial da Casa Branca, a declaração elevou as incertezas e impulsionou os preços do petróleo. O barril do tipo Brent saltou 2,35%, sendo negociado a US$ 65,40.

Pressão sobre o Fed e Reação do Mercado Doméstico

Outro ponto de tensão foi a pressão política inédita exercida por Trump sobre o Fed, questionando publicamente a independência da autoridade monetária. "A investida política de Trump contra Jerome Powell tende a elevar a percepção de risco institucional nos EUA no curto prazo, enfraquecendo o dólar globalmente e aumentando a volatilidade nos mercados", analisa Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos.

No Brasil, a moeda americana reagiu de forma mista a esses ventos contrários, encerrando o dia praticamente estável, cotada a R$ 5,37. No mercado acionário, as ações da Petrobras (PETR4) foram uma das poucas a surfar na onda de alta do petróleo, valorizando-se 2,57%.

Setor de Serviços e Desempenho dos Bancos

No front doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o volume de serviços no país apresentou uma variação negativa de 0,1% em novembro ante outubro, interrompendo uma sequência de nove meses de resultados positivos. Apesar da queda pontual, o setor, considerado o "termômetro" do PIB, permanece 20% acima do nível pré-pandemia.

Entre os papéis de maior peso no Ibovespa, os grandes bancos tiveram um dia difícil, acompanhando a queda geral do índice:

  • Banco do Brasil (BBAS3): -3,06%
  • Santander (SANB11): -1,38%
  • Bradesco (BBDC4): -1,14%
  • Itaú (ITUB4): -0,81%

O especialista Eduardo Amorim projeta que o cenário mais provável para o câmbio no curto prazo é de um dólar volátil frente ao real, com viés mais neutro adiante, condicionado à evolução dos dados macroeconômicos e do ambiente global de risco.