Ibovespa despenca com crise política e tensão nos mercados globais
Ibovespa despenca com crise política e tensão global

O Ibovespa operava em forte queda nesta sexta-feira, 15, aos 176.869 pontos, em um pregão marcado pela combinação de incertezas políticas no Brasil e aumento da aversão ao risco no cenário internacional. Os investidores repercutem os desdobramentos da reportagem que relaciona o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além das mudanças no comando do Federal Reserve, nos Estados Unidos.

Tensão política e áudio explosivo

A tensão política ganhou força após a divulgação de um áudio publicado pelo The Intercept Brasil em que Flávio Bolsonaro pede a Vorcaro a retomada do financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Daniel Vorcaro está preso sob acusação de envolvimento em uma série de crimes financeiros. Esse episódio aumenta a cautela dos investidores quanto ao cenário eleitoral brasileiro.

Bancos e varejistas lideram perdas

No mercado acionário, os grandes bancos figuravam entre as maiores pressões negativas do índice. O Bradesco (BBDC4) liderava as perdas do setor com recuo de -1,63%, seguido pelo Banco do Brasil (BBAS3), que caía -1,49%. O Santander (SANB11) registrava baixa de -1,33%, enquanto o Itaú (ITUB4) operava em queda de -1,29%. As varejistas também eram impactadas pelo movimento de cautela dos investidores. A Magazine Luiza (MGLU3) recuava -3,47%, enquanto a Casas Bahia (BHIA3) caía -2,70%.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Cenário externo: Fed e juros americanos

No exterior, o mercado acompanha uma realização de lucros após semanas de valorização em Wall Street, além da mudança oficial no comando do Banco Central americano. Jerome Powell deixou a presidência do Federal Reserve após oito anos no cargo, abrindo espaço para Kevin Warsh assumir a liderança da autoridade monetária dos Estados Unidos. Para Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o movimento desta sexta reflete uma combinação de pressão inflacionária, abertura da curva de juros americana e aumento da cautela global.

“A curva de juros nos Estados Unidos abriu bastante, com a taxa de 10 anos chegando perto de 4,55% e a de 30 anos voltando à casa dos 5%, algo que não víamos há meses. O mercado começa a reavaliar o cenário com a chegada de Kevin Warsh ao Fed em um ambiente mais desafiador para a política monetária”, afirma.

Geopolítica e petróleo

Segundo Yamashita, o mercado também reage à falta de avanços concretos na viagem de Donald Trump à China e às incertezas envolvendo o Oriente Médio. “O encontro entre Trump e Xi Jinping não trouxe novidades relevantes em termos de acordos comerciais ou mediação do conflito no Oriente Médio. Com isso, o mercado passa a realizar parte dos ganhos recentes e aumenta a aversão ao risco”, explica. O cenário internacional segue concentrado nas negociações sobre o Estreito de Ormuz. Após encontro com o presidente chinês Xi Jinping, Donald Trump afirmou que Irã não deve ter acesso a armas nucleares e defendeu a reabertura da rota marítima, considerada estratégica para o fluxo global de petróleo.

Dólar sobe com busca por proteção

No câmbio, o dólar avançava diante da busca global por proteção aos 5,07 reais. De acordo com Yamashita, a moeda americana subia 1,37% frente ao real, negociada na faixa de 5,05 reais. “Esse movimento reflete tanto a abertura de juros nos Estados Unidos quanto uma percepção de cenário doméstico mais turbulento com a aproximação das eleições presidenciais”, diz.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar