Ibovespa cai com tensão geopolítica e cautela sobre juros nos EUA
Ibovespa cai com tensão no Oriente Médio e juros nos EUA

O Ibovespa, principal índice da B3, operava em queda nesta quinta-feira (21), aos 176.402 pontos, em um dia marcado por cautela nos mercados globais diante das incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã. Além do cenário externo, investidores também monitoram discussões sobre política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Pressão dos bancos

As ações dos grandes bancos figuravam entre as principais pressões negativas do índice. O Santander (SANB11) caía -1,06%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), com baixa de -1,01%. O Itaú (ITUB4) recuava -0,91%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) operava em queda de -0,68%.

Cenário internacional

No exterior, os investidores reagiam a declarações contraditórias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã. Embora tenha afirmado que ainda espera uma resposta de Teerã antes de avançar militarmente, Trump também indicou estar disposto a retomar ataques caso as negociações fracassem. O Paquistão intensificou esforços diplomáticos para tentar manter as conversas de paz, enquanto autoridades iranianas analisam as propostas enviadas por Washington.

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Segundo Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o mercado segue preocupado principalmente com os impactos inflacionários provocados pela alta do petróleo e os possíveis efeitos sobre a política monetária americana. “A ata do Fed reforçou justamente as divergências em torno da condução dos juros nos Estados Unidos, especialmente em um ambiente ainda marcado pelas incertezas no Oriente Médio e pela pressão inflacionária causada pelo petróleo”, afirma.

O especialista destaca ainda que a mudança no comando do Federal Reserve também passou a chamar atenção dos investidores. “O principal desafio para Kevin Warsh, novo presidente do Banco Central americano, será justamente lidar com um cenário de inflação resistente e ao mesmo tempo uma economia ainda aquecida”, explica Yamashita.

Mesmo após divulgar resultados acima das expectativas de Wall Street, a Nvidia não conseguiu empolgar o mercado. A companhia projetou receita de 91 bilhões de dólares para o segundo trimestre e anunciou um programa de recompra de ações de 80 bilhões de dólares, mas os papéis reagiam de forma tímida nas negociações pré-mercado.

Yamashita também ressalta que o setor de tecnologia continua no radar dos investidores, principalmente após a SpaceX divulgar seu prospecto para IPO e rumores de que a OpenAI pode protocolar sua abertura de capital nos próximos dias. “O mercado acompanha muito de perto o avanço das empresas ligadas à inteligência artificial e o potencial impacto dessas gigantes privadas chegando à Bolsa”, afirma.

Além das tensões geopolíticas, o fortalecimento do dólar e a busca por ativos considerados mais seguros também seguem pressionando os mercados emergentes. Para Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, o movimento atual reflete uma maior aversão ao risco global. “Em momentos de tensão geopolítica e incerteza econômica, o Ibovespa tende a sofrer mais volatilidade, enquanto o dólar ganha força e ativos de proteção, como o ouro, passam a atrair mais investidores”, avalia.

Segundo ele, o ouro continua sendo visto como um importante ativo de proteção diante da inflação global e da desvalorização cambial. “A demanda por ouro segue elevada tanto por investidores quanto por bancos centrais, justamente pela capacidade do metal de preservar valor em cenários de instabilidade”, explica.

No câmbio, o dólar avançava 0,29% frente ao real, negociado na faixa de 5,01 reais às 11h20, acompanhando o movimento global de fortalecimento da moeda americana.

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