Israel anunciou, nesta quinta-feira, 21, a expulsão de todos os ativistas estrangeiros da flotilha de Gaza capturada esta semana por forças israelenses em águas internacionais. A medida ocorre após a indignação internacional com o tratamento dado aos detidos, incluindo relatos de agressões e vídeos de humilhação divulgados pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.
Detenção e deportação
Cerca de 430 passageiros e tripulantes de aproximadamente 50 embarcações foram interceptados na segunda-feira pelo Exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre. Eles foram levados à força para Israel e detidos na prisão de Ktziot, conforme informou a ONG Adalah, que prestou assistência jurídica. Todos os ativistas estrangeiros foram deportados, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein, que afirmou: “Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal a Gaza”.
Relatos de agressões
Alessandro Mantovani, jornalista italiano detido e deportado antes dos demais, declarou ao chegar ao Aeroporto de Roma-Fiumicino que ele e outros foram “levados algemados e acorrentados ao Aeroporto Ben Gurion e colocados em um voo para Atenas”. “Eles nos bateram. Nos chutaram e nos socaram”, afirmou, referindo-se ao tratamento das forças de segurança. Dario Carotenuto, deputado italiano também detido e deportado, relatou que apontaram fuzis para eles: “Acho que aqueles foram os segundos mais longos da minha vida”.
Vídeos geram condenação
Na quarta-feira, Ben-Gvir publicou um vídeo dos militantes da flotilha ajoelhados com as mãos amarradas, provocando indignação internacional e até mesmo dentro do governo israelense. Uma jovem que gritou “Palestina livre” enquanto o ministro passava teve a cabeça pressionada contra o chão por forças de segurança. Espanha, Irlanda e Itália pediram sanções da União Europeia contra Ben-Gvir, classificando as imagens como “inaceitáveis”.
Contexto e reações
A Flotilha Global Sumud (sumud significa resiliência em árabe) buscava chamar a atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Hamas e Israel, ao tentar romper o bloqueio marítimo imposto por Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu a ação, afirmando que Israel “tem todo o direito de impedir que flotilhas provocativas de apoiadores terroristas do Hamas” entrem em suas águas territoriais e cheguem a Gaza. A guerra foi desencadeada pelo ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023.



