Entusiasmo pela Copa do Mundo despenca entre brasileiros, aponta pesquisa
Entusiasmo pela Copa do Mundo despenca no Brasil

O entusiasmo dos brasileiros com a Copa do Mundo sofreu uma queda expressiva em relação à edição anterior. De acordo com a pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta semana, apenas 16% dos entrevistados afirmam estar “muito animados” para o torneio de 2026, que será sediado nos Estados Unidos, Canadá e México. Em 2022, esse índice era de 33%, representando uma redução significativa.

Desânimo supera animação

O levantamento revela que 46% dos brasileiros estão desanimados com a competição, enquanto 32% se declaram “um pouco animados”. A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios entre os dias 8 e 12 de abril de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais. A retração no entusiasmo é observada em praticamente todos os segmentos analisados.

Entre os homens, o percentual dos muito animados caiu de 40% em 2022 para 18% atualmente. Já entre as mulheres, a taxa recuou de 27% para 15%. “Os dados sugerem que a redução do entusiasmo está ligada a uma combinação de fatores esportivos, culturais e comportamentais”, afirma Andrea Barbosa, diretora de Entendimento de Marca na Ipsos no Brasil. Ela destaca que há um componente importante associado à cautela em relação ao desempenho da Seleção, mas também sinais de uma transformação mais ampla na forma como os brasileiros vivem suas paixões e consomem entretenimento.

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Confiança na Seleção em baixa

A cautela também se reflete na avaliação das chances da Seleção Brasileira. Apenas 18% dos entrevistados acreditam que o Brasil tem muitas chances de conquistar o título mundial. Outros 49% dizem que a equipe tem poucas chances, enquanto 26% consideram que a Seleção não tem chance de ser campeã. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice de otimismo sobe para 24%.

Interesse versus entusiasmo

Apesar do recuo no entusiasmo, a Copa ainda mobiliza grande parte da população. A pesquisa mostra que 63% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos da Seleção Brasileira, sendo 21% interessados em acompanhar todos os jogos que puderem e 42% apenas as partidas do Brasil. “Esse resultado é um sinal de que interesse e entusiasmo não são exatamente a mesma coisa”, afirma Andrea Barbosa. “Mesmo com menos euforia, assistir aos jogos continua sendo um momento importante de convivência, conversa e encontro.”

Entre os homens, 30% afirmam que pretendem assistir ao maior número possível de jogos da Copa, enquanto 40% dizem que acompanharão apenas a Seleção. Entre as mulheres, os percentuais são de 13% e 45%, respectivamente. Ao todo, 35% dos brasileiros afirmam que não pretendem assistir a nenhum jogo do torneio, índice que sobe para 42% entre as mulheres.

Jovens e redes sociais mudam relação com o futebol

Os jovens registraram uma das quedas mais acentuadas de entusiasmo. Na faixa de 16 a 24 anos, o entusiasmo caiu de 44% para 28%. Ainda assim, esse grupo segue sendo o mais animado proporcionalmente: 28% afirmam estar muito animados e 41% um pouco animados. “Hoje, os jovens transitam simultaneamente entre múltiplos universos de interesse e pertencimento — do futebol às séries, da música aos influenciadores digitais, games e redes sociais”, explica Andrea Barbosa.

Esperança lidera sentimentos

Segundo a pesquisa, “esperança” é o principal sentimento associado à Copa de 2026, citado por 27% dos entrevistados. Na sequência aparecem “alegria” (15%), “preocupação” (14%), “vergonha” (14%) e “decepção” (13%). Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice de esperança sobe para 32%. Já no Sul do país, o sentimento de “desperdício” aparece acima da média nacional, com 13%.

“Mesmo assim, a Copa continua sendo um dos maiores eventos coletivos do país, capaz de mobilizar conversas, encontros e emoções compartilhadas em escala nacional”, diz Andrea. Ela conclui que o cenário pode mudar dependendo do desempenho esportivo da Seleção e da construção de novos ídolos: “Um ciclo positivo ou uma narrativa mais mobilizadora podem reacender níveis mais altos de entusiasmo e engajamento coletivo.”

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