Bets fazem varejo perder mais de R$ 100 bilhões em faturamento, aponta CNC
Bets fazem varejo perder R$ 100 bi, diz CNC

O crescimento das apostas online no Brasil está gerando impactos significativos na economia, especialmente no consumo das famílias. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo deixou de faturar mais de R$ 100 bilhões em 2024 devido ao desvio de recursos para as chamadas bets.

Redirecionamento de recursos

De acordo com a CNC, os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões anualmente às apostas. Esse movimento altera a dinâmica tradicional do consumo, reduzindo a circulação de dinheiro em setores como comércio, serviços e lazer, que normalmente geram empregos e arrecadação de impostos. Especialistas apontam que, diferentemente do consumo convencional, as apostas concentram recursos em plataformas digitais, muitas vezes com parte dos valores enviada ao exterior ou para estruturas pouco integradas à economia nacional.

Impactos no comércio e emprego

“Na prática, isso significa menos dinheiro girando no comércio, menos estímulo à produção e um impacto negativo indireto sobre empregos e renda, ajudando a explicar por que setores como o varejo já sentem os efeitos dessa migração”, afirma Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A, empresa de análises de dados sobre consumo. O setor de apostas possui baixo efeito multiplicador na economia, em comparação com o varejo, que é intensivo em mão de obra e distribui renda de forma mais ampla.

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Endividamento das famílias

O cenário é acompanhado por indicadores de endividamento em alta. Dados da CNC mostram que mais de 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em março, o maior nível desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), iniciada em 2010. A expansão das bets tem sido impulsionada principalmente pela publicidade e pela popularização de modalidades de cassino online, como jogos eletrônicos presentes em diversas plataformas.

Perfil das apostas

Estimativas da CNC indicam que cerca de 80% dos pagamentos feitos nessas plataformas estão ligados a esse tipo de aposta, enquanto as apostas esportivas representam uma parcela menor. “Não se trata apenas de um novo tipo de entretenimento, mas de uma substituição de consumo: o dinheiro gasto em apostas deixa de financiar atividades que têm maior capacidade de gerar empregos e renda”, diz Costa, acrescentando que o fenômeno tende a atingir com mais força as famílias de menor renda e a agravar o endividamento.

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