Suprema Corte dos EUA declara ilegal tarifaço de Trump, mas imposto segue em alta histórica
Suprema Corte declara ilegal tarifaço de Trump, mas imposto segue alto

Em uma decisão histórica que representa uma reviravolta significativa para a administração do presidente norte-americano Donald Trump, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou, nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, que a maior parte das tarifas de importação aplicadas pelo governo ao longo do último ano é ilegal e deve ser revogada imediatamente.

Fundação legal questionada e impacto imediato

O veredito do tribunal baseou-se na análise de que a legislação utilizada por Trump para sustentar os aumentos nos impostos de importação, conhecida como Ato de Emergência Econômica Internacional (Ieepa), não concede ao presidente a autoridade para alterar tributos de forma permanente. Esta lei de 1977 foi originalmente concebida para permitir medidas econômicas em situações de emergência nacional, como ameaças externas à segurança ou à economia, mas sua aplicação para mudanças tributárias permanentes foi considerada inédita e contestada desde o início.

Simulações realizadas pelo Budget Lab, laboratório de pesquisas em finanças públicas da Universidade de Yale, após o anúncio da decisão, indicam que a derrubada das tarifas afetadas pode reduzir a tarifa média de importação dos Estados Unidos de 16,9% para aproximadamente 9,1% inicialmente. Com o tempo, esse valor pode cair para cerca de 8% devido ao chamado "efeito substituição", onde consumidores americanos optam por fornecedores alternativos em resposta aos preços elevados.

Contexto histórico e persistência de altas taxas

No entanto, mesmo com essa redução, a tarifa média permaneceria como a mais alta desde 1946, conforme destacado pelo Budget Lab. Este cenário reflete uma inversão na tendência de décadas de abertura comercial e globalização, durante a qual os Estados Unidos e outros países reduziram gradualmente suas barreiras tarifárias. Por exemplo, na década de 1930, logo após a crise global de 1929, a tarifa média dos EUA atingiu quase 20%, enquanto no início do século XX beirava os 30%. Desde o ano 2000, essa alíquota média não ultrapassava os 3%, de acordo com dados históricos.

A decisão da Suprema Corte não afeta todas as tarifas implementadas por Trump. Ela se aplica especificamente às "tarifas recíprocas", que variam de 10% a 40% dependendo do parceiro comercial, incluindo o Brasil, que enfrenta a taxa mais elevada da lista. Essas tarifas adicionais se somam a um novo piso de 10% estabelecido pelo governo. Por outro lado, aumentos realizados por meio de outras legislações, como a Seção 232, que elevaram tarifas para produtos específicos como aço, alumínio e automóveis, permanecem válidos e não são impactados pela decisão judicial.

Implicações econômicas e políticas

Esta decisão judicial tem implicações profundas para a economia global e as relações comerciais internacionais. A persistência de tarifas elevadas, mesmo após a revogação parcial, pode continuar a pressionar os preços para consumidores e empresas, afetando cadeias de suprimentos e a competitividade no mercado internacional. Além disso, o caso destaca as tensões entre os poderes executivo e judiciário nos Estados Unidos, levantando questões sobre os limites da autoridade presidencial em matéria de política comercial.

Especialistas alertam que o cenário atual pode levar a ajustes nas estratégias de importação e exportação, com países buscando diversificar seus mercados para mitigar os impactos das tarifas remanescentes. A decisão da Suprema Corte, portanto, não apenas redefine as regras do jogo no comércio exterior norte-americano, mas também sinaliza um possível freio nas políticas protecionistas que marcaram a era Trump.