Importações dos EUA resistem às tarifas de Trump e crescem 4,8% em 2025
Importações dos EUA crescem 4,8% em 2025 apesar de tarifas

Importações dos EUA resistem ao tarifaço e crescem 4,8% em 2025

O novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implementou um aumento massivo de tarifas comerciais desde que assumiu o gabinete em janeiro de 2025, mas os efeitos sobre a balança comercial de seu país parecem ter sido limitados. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, as importações do país cresceram no ano passado, as exportações também avançaram e, no balanço final, o déficit comercial ficou praticamente estável na comparação com o resultado de 2024.

Crescimento robusto das importações de bens e serviços

As importações totais de bens e serviços, de acordo com os dados oficiais, cresceram 4,8% em 2025, alcançando a impressionante marca de 4,33 trilhões de dólares. Em 2024, o número havia sido de 4,17 trilhões, demonstrando uma continuidade no fluxo comercial apesar das barreiras tarifárias. Consideradas apenas as importações de bens, que são os produtos físicos de fato afetados pelas tarifas de Trump, o avanço no ano foi de 4,3%, para 3,44 trilhões de dólares. Essas importações de bens representam a maior parte da corrente de comércio dos EUA com o resto do mundo, indicando uma resiliência significativa do mercado.

Já as importações de serviços, que incluem setores como turismo, finanças e tecnologia, cresceram ainda mais, com um aumento de 6,5%, alcançando 895 bilhões de dólares. Esse crescimento sugere que a economia norte-americana continua demandando serviços internacionais, independentemente das políticas protecionistas.

Exportações também avançam, mas déficit comercial persiste

Do outro lado da balança, as exportações totais dos Estados Unidos avançaram 6,2% em 2025, para 3,43 trilhões de dólares. Embora esse crescimento seja positivo, o valor ainda permanece bastante abaixo das importações, mantendo o país em uma posição deficitária. Como resultado, o saldo comercial norte-americano, que é a diferença entre tudo o que o país compra e vende no mercado internacional, ficou negativo em 901,5 bilhões de dólares.

Esse valor representa apenas 2 milhões de dólares a menos do que no ano anterior, quando o resultado, também no vermelho, foi de 903,5 bilhões de dólares. Trata-se de uma queda quase nula, de apenas 0,2%, indicando que o déficit comercial se manteve praticamente inalterado, apesar dos esforços do governo Trump para reduzi-lo através de tarifas.

Implicações para a política econômica de Trump

Os dados revelam que as políticas tarifárias implementadas por Donald Trump, conhecidas como "tarifaço", não conseguiram frear significativamente as importações norte-americanas. Isso pode ser atribuído a vários fatores, como a forte demanda interna dos EUA, a diversificação das fontes de importação ou a capacidade das empresas de absorverem os custos adicionais. O crescimento das exportações, por outro lado, mostra que setores da economia americana continuam competitivos no mercado global.

Esse cenário coloca em questão a eficácia das tarifas como ferramenta para corrigir desequilíbrios comerciais, sugerindo que outros fatores, como inovação tecnológica e acordos comerciais, podem ser mais determinantes para o desempenho da balança comercial. A estabilidade do déficit, apesar das mudanças políticas, destaca a complexidade da economia internacional e os desafios enfrentados por governos ao tentarem moldar fluxos comerciais através de medidas unilaterais.