Crise no K-pop: fundador da HYBE, criadora do BTS, pode ser preso por fraude financeira
Fundador da HYBE, do BTS, pode ser preso por fraude financeira

Crise no K-pop: fundador da HYBE, criadora do BTS, pode ser preso por esquema financeiro

O empresário Bang Si-hyuk, fundador da gigante do K-pop HYBE, responsável por grupos como o BTS, é alvo de um pedido de prisão na Coreia do Sul sob suspeita de fraude no mercado financeiro. A informação, divulgada por veículos como Reuters e The Korea Times, representa uma das maiores crises recentes da indústria do entretenimento asiático, com repercussões globais.

Suspeita de fraude no IPO da HYBE

A promotoria sul-coreana acusa Bang de manipular informações antes da abertura de capital da empresa, em 2020, para obter ganhos financeiros indevidos. Segundo as investigações, o executivo teria informado a acionistas, em 2019, que a HYBE não tinha planos de abrir capital, o que os levou a vender suas participações.

Esses ativos teriam sido adquiridos por um fundo ligado a pessoas próximas a Bang. Quando a HYBE realizou seu IPO meses depois, esse fundo vendeu as ações com forte valorização. De acordo com a Reuters, Bang teria direito a cerca de 30% dos lucros da operação, o que pode ter gerado ganhos estimados em cerca de 190 bilhões de won — aproximadamente US$ 129 milhões.

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Pela legislação sul-coreana, lucros obtidos por meio de informações falsas podem levar a penas severas. O The Korea Times destaca que casos acima de 5 bilhões de won podem resultar em prisão mínima de cinco anos, com possibilidade de pena perpétua. Bang nega qualquer irregularidade.

Investigação avança e pressiona a empresa

As autoridades começaram a apurar o caso no fim de 2024. Desde então, realizaram buscas na sede da HYBE e na bolsa sul-coreana, além de interrogar Bang diversas vezes. O empresário também está sob restrição de viagem.

O pedido de prisão ainda precisa ser aprovado pela Justiça. Caso aceito, Bang pode ser detido enquanto o processo avança. A repercussão já atinge o mercado: as ações da HYBE chegaram a cair quase 3% após a divulgação do caso, mesmo em um dia de alta do índice KOSPI.

Impacto no império global do K-pop

A crise ocorre em um momento sensível para a empresa. O BTS retomou atividades após quase quatro anos de pausa devido ao serviço militar obrigatório de seus integrantes, com shows recentes na Coreia do Sul e no Japão e uma turnê nos Estados Unidos prestes a começar.

A HYBE se consolidou na última década como a principal força global do K-pop, expandindo operações para os Estados Unidos e diversificando seu portfólio com novos grupos e parcerias internacionais. Especialistas apontam que o caso pode afetar a confiança de investidores e parceiros internacionais no modelo de negócios da indústria coreana, que depende cada vez mais de capital estrangeiro e da expansão global de seus artistas.

Risco reputacional e efeito sistêmico na indústria

Além das possíveis consequências legais, o episódio levanta dúvidas sobre governança corporativa em empresas de entretenimento que cresceram rapidamente com o boom do streaming e da globalização da música. Para analistas ouvidos por veículos como Reuters, o caso da HYBE pode se tornar um marco regulatório, levando autoridades a endurecer regras sobre transparência e práticas no mercado de capitais sul-coreano.

Se confirmadas, as acusações não atingem apenas um executivo, mas colocam sob escrutínio um dos setores mais lucrativos e influentes da cultura pop global. A situação destaca os desafios de crescimento acelerado em indústrias criativas, onde a inovação artística deve coexistir com rigor financeiro e ética empresarial.

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