Dólar fecha em alta com tensões geopolíticas entre EUA e Irã
O dólar comercial encerrou esta terça-feira (7) com valorização de 0,14%, cotado a R$ 5,154, em um movimento diretamente influenciado pelo aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, emitiu um ultimato exigindo que o regime iraniano aceitasse um acordo para reabertura do estratégico estreito de Hormuz, elevando a busca por ativos de segurança no mercado financeiro internacional.
Bolsa opera próxima da estabilidade em meio a incertezas
Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, registrou avanço mínimo de 0,05%, fechando a sessão em 188.258 pontos. O desempenho tímido reflete o compasso de espera do mercado acionário, que aguarda desdobramentos do conflito internacional antes de tomar posições mais definidas.
Ultimato de Trump aumenta pressão sobre Teerã
Donald Trump reforçou o prazo estabelecido até as 21h (horário de Brasília) desta terça-feira para que o Irã concordasse com um cessar-fogo. Em postagem na rede social Truth Social, o republicano afirmou que "uma civilização inteira pode morrer hoje" caso não seja firmado um acordo entre os dois países. O presidente norte-americano ainda ameaçou destruir todas as pontes e usinas de energia do Irã a partir de 1h da quarta-feira (8), caso suas exigências não fossem atendidas.
Em resposta, o representante iraniano nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, classificou as declarações de Trump como "incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio". O diplomata participou de reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta terça, onde defendeu a posição do regime de Teerã.
Bloqueio do estreito de Hormuz impacta economia global
O estreito de Hormuz, por onde transitam aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos mundialmente, tornou-se o epicentro das tensões. Seu bloqueio lançou a economia global em turbulência, criando um choque de oferta considerado sem precedentes que se transforma rapidamente em uma crise energética de proporções significativas.
Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, explica: "O grande motivador continuou sendo o petróleo, refletindo o medo de interrupção no fluxo global de energia". Nesta terça, o preço do barril de petróleo atingiu US$ 110, pressionado pelas crescentes tensões na região.
Conflito se intensifica com troca de ataques
As hostilidades se intensificaram com Israel bombardeando pela segunda vez em dois dias uma petroquímica iraniana em Shiraz, alegando que a instalação produzia insumos para explosivos. Simultaneamente, foram registradas explosões na estratégica ilha de Kharg, que Trump já mencionou poder tomar mediante ação militar.
Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária afirmou que "o comedimento acabou" e está pronta para interromper o fluxo de petróleo e gás pelo golfo Pérsico "por anos". O Irã retaliou atacando o complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita, com sete mísseis e vários drones.
Impactos econômicos e posicionamento do Brasil
O conflito tem pressionado a inflação global e colocado em dúvida as previsões de crescimento econômico mundial. Tanto o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos quanto o Banco Central do Brasil citaram a guerra em suas decisões monetárias do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.
Na visão da XP Investimentos, um conflito prolongado e preços elevados do petróleo por mais tempo representam os principais pontos de atenção, especialmente com as expectativas de inflação local subindo acima da meta de 3% estabelecida pelo BC brasileiro. Ainda assim, a instituição financeira avalia que o Brasil está bem posicionado para enfrentar as turbulências, "dada a alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros".
Para Otávio Araújo, o cenário de maior cautela do Fed tende a pressionar as bolsas brasileira e de outros países emergentes: "Um dólar globalmente mais forte costuma pesar sobre o fluxo para países emergentes. Por outro lado, um alívio nas tensões tende a favorecer ativos de risco".



