O fluxo comercial entre Brasil e China atingiu um patamar histórico em 2025, consolidando o gigante asiático como o principal parceiro econômico do país. Os dados revelam que o volume total de negócios ultrapassou a marca de US$ 171 bilhões, um valor que é mais que o dobro do registrado com os Estados Unidos no mesmo período.
Números que comprovam a virada estratégica
De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, o intercâmbio comercial com a China apresentou um crescimento expressivo de 8,2% em 2025 na comparação com o ano anterior. Esse desempenho robusto elevou o montante para aproximadamente R$ 919,5 bilhões. Em contraste, as transações com os Estados Unidos somaram US$ 83 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 446,5 bilhões, ficando abaixo da metade do volume chinês.
Este resultado posiciona o ano de 2025 como o segundo melhor de toda a história das relações econômicas bilaterais, ficando atrás apenas do recorde absoluto estabelecido em 2023. A participação chinesa no comércio exterior brasileiro já representa 27,7% do total, em um ano em que a soma geral das trocas internacionais do Brasil alcançou US$ 629 bilhões.
O fator Trump e a liderança da soja
Analistas apontam que uma das forças motrizes por trás dessa realocação comercial foram as guerras tarifárias deflagradas pela administração de Donald Trump. A imposição de pesadas sobretaxas pela Casa Branca forçou uma reavaliação estratégica por parte do governo brasileiro, que buscou diversificar seus mercados e reduzir a dependência das exportações para os EUA.
Nesse cenário, a China, também em resposta às políticas comerciais agressivas de Washington, interrompeu temporariamente as importações de soja norte-americana, voltando-se com força para o fornecimento brasileiro. Conforme dados do Conselho Empresarial Brasil-China, as vendas de soja foram o carro-chefe, respondendo por pouco mais de um terço do valor total exportado para a China e registrando uma alta de 10% frente a 2024.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informa que, ainda hoje, cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA permanecem sujeitas às tarifas estabelecidas em julho do ano passado. Essas medidas ampliaram o déficit brasileiro na relação bilateral, já que poucos produtos conseguiram compensar em outros mercados a perda de competitividade no mercado americano.
Crescimento bilateral e superação de parceiros tradicionais
O dinamismo não se limitou às exportações. O Brasil também aumentou significativamente suas compras da China. As importações de produtos chineses bateram um recorde em 2025, chegando a US$ 70,9 bilhões, o que representa um crescimento de 11,5% em relação a 2024.
Enquanto a parceria com a China se fortalece, o comércio com outros parceiros tradicionais mostra sinais de contração. As compras dos Estados Unidos, por exemplo, recuaram 6,6% no período, evidenciando uma reconfiguração clara nos fluxos comerciais globais do Brasil. Este movimento reforça a importância da China não apenas como um destino para commodities, mas como uma relação econômica complexa e multifacetada, com impactos profundos na economia nacional.