Argentina anuncia medidas para dificultar saída de dólares do país
O governo argentino implementou um novo pacote de regras cambiais que tem como principal objetivo dificultar a retirada de dólares do país através de operações de câmbio paralelo. As medidas, publicadas pelo Banco Central na última quinta-feira, 9 de abril de 2026, representam uma tentativa de fortalecer as reservas internacionais e estabilizar a economia em meio aos esforços de controle da inflação.
Cerco ao blue-chip swap
A iniciativa estabelece restrições específicas ao chamado blue-chip swap, um tipo de câmbio paralelo utilizado principalmente por investidores sofisticados para enviar moeda estrangeira para o exterior. Segundo analistas, essa prática vinha prejudicando os esforços do ministro da Economia, Luís Caputo, para reconstruir as reservas cambiais do país.
"A retirada descontrolada de dólares pressiona o peso argentino e pode aumentar ainda mais a inflação, o que seria prejudicial para a popularidade do presidente Javier Milei", explica um economista local que acompanha as medidas.
Flexibilizações em outras áreas
Enquanto aperta o cerco contra o blue-chip swap, o governo argentino também anunciou flexibilizações em outras operações cambiais:
- Eliminação do limite de saque de 50 dólares por cartões emitidos na Argentina
- Prorrogação do prazo para liquidação de receitas de exportação
- Fim da necessidade de autorização prévia do Banco Central para pagamento de dívidas financeiras
Essas mudanças buscam atrair mais moeda estrangeira para o país através de canais oficiais, complementando as restrições impostas ao mercado paralelo.
Compra recorde de dólares
No mesmo dia do anúncio das novas regras, o Banco Central da Argentina realizou sua maior compra de dólares em 2026, adquirindo US$ 281 milhões em moeda estrangeira. A operação faz parte de um programa iniciado no final de 2025 que visa reforçar as reservas internacionais, uma preocupação compartilhada pelo governo, investidores e pelo Fundo Monetário Internacional.
Expectativas de crescimento
O governo argentino espera que nas próximas semanas haja um aumento significativo no volume de moedas estrangeiras entrando no país. Essa expectativa se baseia em vários fatores:
- Fortalecimento do comércio no setor de energia
- Exportações robustas do setor agrícola
- Recursos provenientes de investimento estrangeiro direto
- Emissão de dívida corporativa no exterior
Reconhecimento internacional
Em relatório publicado recentemente, o Banco Mundial elogiou as decisões econômicas do governo Milei, destacando que a "Argentina emergiu como a principal exceção positiva na América Latina". Segundo a instituição, as reformas implementadas desde 2023 melhoraram as expectativas e as condições financeiras do país.
Os números confirmam essa avaliação positiva:
- O risco-país (EMBIG) caiu de aproximadamente 2.200 pontos para menos de 600 pontos em março de 2026
- A projeção de crescimento acumulado para o período 2024-2027 saltou para 12,2%
- O Banco Mundial projeta crescimento de 3,6% do PIB argentino em 2026
Em comparação, a estimativa para a economia brasileira é de apenas 2,2% de crescimento em 2025, demonstrando a recuperação relativa da Argentina na região.
Agenda de reformas continua
O presidente Javier Milei, de perfil ultraliberal, mantém sua agenda de reformas econômicas iniciada quando assumiu o poder em 2023. As medidas anunciadas esta semana representam mais um capítulo nesse esforço contínuo para conter a inflação e estimular o crescimento econômico através de políticas monetárias mais rigorosas e seletivas.



