O governo brasileiro confirmou, nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, que a tão aguardada assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve ocorrer nos próximos dias. A declaração foi feita pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também expressou a expectativa de que o tratado entre em vigor ainda este ano.
O caminho para a vigência do acordo
Para que o pacto se torne realidade, Alckmin explicou que é necessário um processo de "internalização". Isso significa que o texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos Nacionais de cada um dos países do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O vice-presidente, no entanto, fez uma observação importante sobre o cronograma brasileiro. "Se o Congresso Brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, Paraguai e Uruguai, para já entrar em vigência", afirmou. Essa possibilidade aceleraria os benefícios para o Brasil.
Impactos econômicos e comerciais esperados
Alckmin destacou os ganhos concretos que o acordo deve trazer para a sociedade brasileira, com destaque para produtos mais baratos e de melhor qualidade no mercado interno. No campo macroeconômico, ele enfatizou o potencial de geração de empregos e atração de investimentos.
"Nós deveremos ter mais investimentos europeus na região do Mercosul e no Brasil, e mais investimentos brasileiros nos 27 países da Europa", projetou o vice-presidente. Ele lembrou que a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, com uma corrente de comércio (exportações mais importações) que atingiu a marca de US$ 100 bilhões no ano passado.
Os números detalhados mostram a força da relação atual: a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para o bloco europeu em 2025, um crescimento de 5,4% para o setor. Além disso, a UE foi o primeiro ou segundo destino das exportações de 22 estados brasileiros, e mais de 9 mil empresas nacionais, que empregam mais de três milhões de trabalhadores, já comercializam produtos com o continente.
Uma decisão histórica e um posicionamento geopolítico
A confirmação da aprovação do acordo por "ampla maioria" dos países da UE foi dada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Em uma publicação na rede social X, ela classificou a decisão do Conselho Europeu como "histórica" e reafirmou o compromisso com a criação de crescimento e empregos, além da garantia dos interesses de consumidores e empresas europeias.
Alckmin também enquadrou o acordo em um contexto geopolítico mais amplo, definindo o momento atual como "difícil, de instabilidade e de conflitos". Para ele, o pacto comercial é uma resposta a esse cenário, demonstrando que é possível construir um caminho de comércio com regras, abertura comercial e fortalecimento do multilateralismo, em detrimento do isolacionismo.
O vice-presidente ainda vinculou o acordo a agendas contemporâneas cruciais, afirmando que ele fortalece a sustentabilidade ao gerar compromissos dos países signatários no combate às mudanças climáticas. "É um ganha-ganha. Quem for mais competitivo vende", concluiu Alckmin, resumindo a visão do governo sobre os benefícios mútuos do tratado.