A Comissão Europeia anunciou nesta segunda-feira, 5, que as negociações para a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul estão avançadas e a assinatura deve ocorrer em breve. A informação foi confirmada pela porta-voz da UE, Paula Pinho, que, no entanto, não validou a data de 12 de janeiro, anteriormente especulada para a formalização do pacto com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O caminho para a maior zona de livre comércio do mundo
O acordo comercial entre UE e Mercosul visa criar a maior zona de livre comércio do planeta. O plano original da Comissão Europeia era concluir o processo até dezembro de 2025, mas houve um adiamento após a Itália se aliar à França para buscar maior proteção ao setor agrícola europeu, remarcando o encerramento para janeiro.
De forma geral, o pacto prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de estabelecer regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Resistência francesa e apoio condicional da Itália
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país não apoiará o acordo sem a inclusão de novas salvaguardas para os agricultores franceses. "Quero dizer aos nossos agricultores... que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado", declarou Macron, posicionando a França como o principal foco de resistência dentro do bloco.
Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, adotou um tom mais conciliador. Ela afirmou que o país pode apoiar o acordo, desde que as preocupações dos agricultores italianos sejam atendidas pela Comissão Europeia. "O governo italiano está pronto para assinar o acordo assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores", disse.
Alemanha e Espanha pressionam por avanço
Enquanto a França mantém sua posição firme, a Alemanha e a Espanha defendem a conclusão do acordo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, argumentam que o tratado, firmado politicamente no ano passado, deve avançar.
Para Alemanha, Espanha e países nórdicos, o acordo com o Mercosul é uma oportunidade estratégica. Eles avaliam que o pacto pode ajudar a compensar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus e reduzir a dependência em relação à China, ao ampliar o acesso a minerais e novos mercados.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já havia se mostrado confiante. "Entramos em contato com nossos parceiros do Mercosul e concordamos em adiar ligeiramente a assinatura", afirmou, acrescentando que acredita haver uma maioria suficiente entre os Estados-membros para aprovar o acordo.
A aprovação final depende do aval do Conselho Europeu, que exige o apoio da maioria dos países do bloco e da maior parte da população europeia, tornando esta a fase politicamente mais sensível. O Brasil, por sua vez, mantém o otimismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que a resistência italiana vem da pressão de agricultores, mas acredita que o país acabará aderindo ao tratado que promete remodelar as relações comerciais entre os dois blocos.