Mulher de Sorocaba aguarda há sete anos por casa própria após despejo traumático
Mulher aguarda 7 anos por casa após despejo em Sorocaba

A busca incessante por um lar: a história de Débora Sousa em Sorocaba

Débora Sousa é uma das mais de 100 mil pessoas que aguardam ansiosamente serem sorteadas por programas de habitação em Sorocaba, no interior de São Paulo. Em uma casa alugada de quatro cômodos no bairro Habiteto, ela divide o espaço com seus cinco filhos, compartilhando não apenas as paredes, mas também a esperança pelo dia em que conquistarão uma "casinha", como carinhosamente chamam o futuro lar.

Uma necessidade urgente, não apenas um sonho

Para Débora, a casa própria não é apenas um sonho distante a ser realizado com o passar do tempo. Antes mesmo de imaginar as cores que pintaria nas paredes, a moradia representa uma necessidade urgente e vital para sua família. Seus dias são marcados pela insegurança do aluguel, pois ela conhece bem a precisão das cobranças mensais, em contraste com a incerteza do tempo necessário para adquirir um imóvel próprio.

Uma memória vívida de 2019 ilustra essa realidade dura. "A ordem de despejo veio uma semana antes deles virem aqui. Nesse dia foi um desespero, as meninas ainda eram tudo pequenininhas. A mais velha ainda diz 'lembra mãe, de quando mandaram a gente sair da casa?'. Eles não têm dó não. Eles vêm e tiram a gente, pra tirar é rápido", relata Débora com emoção.

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O longo caminho até a casa atual

Após o despejo, Débora passou por diversas residências precárias antes de chegar à atual. "As outras eram muito desconfortáveis e pequenas. Sempre chovia dentro", lembra. Atualmente, ela considera a casa alugada como a mais segura que já teve com seus filhos, pois pelo menos possui encanamento adequado, fiação elétrica e chão no banheiro.

Aos 40 anos, Débora reflete sobre os prazos da vida e questiona: "Não sei por que demora tanto pra eles lembrarem da gente… se a gente faz uma luta para pagar o aluguel, a gente faz uma luta pra pagar o que vai ser nosso". Ela está na fila da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) há aproximadamente sete anos, aguardando uma oportunidade no programa Minha Casa Minha Vida.

O apoio fundamental da comunidade

Quando recebeu a ordem de despejo em 2019, Débora encontrou acolhimento em outras mulheres da comunidade. Mais do que ajuda financeira momentânea, ela recebeu suporte para formação profissional na sede da Pastoral do Menor, uma entidade de assistência social com raízes na Igreja Católica.

Maria Aparecida Ferreira, assistente social do projeto, foi uma das pessoas que esteve ao lado de Débora naqueles momentos difíceis. "Fizemos um movimento com doações e conseguimos evitar que a Débora ficasse na rua com as cinco filhas dela. Inclusive, faz anos que ela aguarda o repasse da casa própria do programa Minha Casa Minha Vida, que até o momento não saiu", relembra.

A atuação da Pastoral do Menor em Sorocaba

A Pastoral do Menor atua nas periferias de Sorocaba desde 2002, quando implementou o primeiro Centro Educacional Comunitário (CEC) no bairro Parque Esmeralda. Atualmente, em parceria com a Associação Bom Pastor, a entidade mantém nove centros educacionais pela cidade.

Os CECs têm como objetivo desenvolver atividades de socialização, lazer e cidadania, além de oferecer apoio escolar e alimentar para crianças e suas famílias. Em Sorocaba, mais de mil pessoas são atendidas por esses programas, que se tornaram um refúgio para famílias como a de Débora.

O presente e os sonhos para o futuro

Atualmente, Débora trabalha como diarista e continua cultivando com seus filhos a gratidão por aqueles que os ajudaram nos momentos mais desafiadores. As crianças participam ativamente das ações sociais da Pastoral no bairro Habiteto e, individualmente, constroem sonhos para um futuro onde viverão com a mãe em uma casa própria.

Esta reportagem integra uma série especial sobre a Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano tem como foco central o direito à moradia digna, buscando discutir os desafios e iniciativas voltados para garantir condições adequadas de habitação para famílias brasileiras. A situação de Débora ilustra a realidade de milhares de pessoas em Sorocaba e em todo o país que lutam diariamente por um lugar para chamar de lar.

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