Mercado especula sobre mudanças no FGC após liquidação do Banco Pleno
Mudanças no FGC? Mercado aposta que sim após caso Pleno

Mercado financeiro especula sobre possíveis mudanças no FGC após liquidação do Banco Pleno

O episódio envolvendo a liquidação do Banco Pleno reacendeu com força o debate sobre possíveis alterações nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Economistas ouvidos pelo programa Mercado, da TV Brasil, afirmam que há diversas propostas em discussão no mercado e entre reguladores, indicando que mudanças significativas podem estar a caminho.

Propostas em análise para reformulação do FGC

Entre as principais medidas que estão sendo debatidas, os especialistas destacam:

  • Endurecimento dos limites de garantia oferecidos pelo fundo aos correntistas e investidores
  • Aumento de aportes obrigatórios por parte de bancos de médio e pequeno porte
  • Criação de um custo adicional que seria repassado aos clientes, funcionando como uma espécie de seguro embutido nas aplicações de maior risco
  • Devolução apenas do capital principal investido, sem o pagamento de juros acumulados, em casos de liquidação de instituições financeiras

Essas discussões ganharam novo fôlego após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., instituições que integravam o grupo do Banco Master.

Impacto financeiro do caso Pleno

Segundo dados divulgados pelo próprio FGC, o volume de depósitos cobertos no Banco Pleno soma impressionantes R$ 4,9 bilhões, envolvendo aproximadamente 160 mil clientes que têm direito à garantia após a decisão da autoridade monetária.

O fundo já desembolsou mais de R$ 50 bilhões a clientes de instituições liquidadas pelo Banco Central no contexto do chamado "caso Master", e esse montante pode se aproximar de R$ 60 bilhões conforme os pagamentos avancem nos próximos meses.

Contexto da liquidação e avaliação do mercado

As instituições do grupo Pleno foram vendidas no segundo semestre do ano passado ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Apesar das cifras elevadas envolvidas nesse e em outros casos recentes, analistas do mercado financeiro avaliam que não há risco sistêmico para o sistema financeiro brasileiro com a liquidação do Pleno.

Os especialistas destacam ainda que o Banco Central tem atuado de forma técnica e dentro dos parâmetros estabelecidos pela regulamentação vigente, buscando preservar a estabilidade do sistema enquanto protege os interesses dos correntistas e investidores.

A discussão sobre o futuro do FGC promete continuar aquecida nos próximos meses, com expectativa de que propostas concretas de reformulação sejam apresentadas para debate público antes de eventual implementação.