Durante muito tempo, o profissional contratado como Pessoa Jurídica foi associado à ideia de maior risco e liberdade total. Mas esse perfil mudou — e mudou bastante. Foi o que destacou Josiane Lima, diretora de pessoas na Swile Brasil, ao revelar com exclusividade ao programa Mercado dados de um anuário que a empresa preparou e que será lançado em 11 de maio.
Proteção e previsibilidade
Segundo ela, hoje o trabalhador PJ quer manter a autonomia, mas sem abrir mão de proteção e previsibilidade. “Hoje em dia, não são profissionais que buscam mais risco, agora buscam segurança”, afirmou. A lógica, segundo ela, é clara: eles querem uma experiência cada vez mais próxima da vivida por quem atua no regime CLT.
PJ com benefícios
Essa mudança aparece de forma objetiva na pesquisa. Entre os benefícios mais desejados pelos profissionais PJ, a assistência médica lidera com folga: 80% apontaram esse item como prioridade. Na sequência aparecem vale-refeição, com 41%, e vale-alimentação, com 40%. Para Josiane, isso mostra que o contratado busca “o melhor dos dois mundos”: preservar a flexibilidade e a autonomia do modelo PJ, mas com o amparo que tradicionalmente sempre esteve ligado à carteira assinada. É uma mudança de mentalidade que também exige uma nova resposta das empresas.
Estratégia para reter talentos
E aí entra um ponto importante: benefício deixou de ser mimo e virou estratégia. Oferecer um pacote mais estruturado para o profissional PJ ajuda a tornar a proposta mais competitiva e melhora o engajamento. “Ele vem para diferenciar o pacote”, explicou. Mais do que isso, ela defende que esse pacote precisa ser personalizado. Afinal, o que faz sentido para um colaborador pode não fazer para outro. A palavra-chave, segundo ela, é customização. Não existe mais solução única quando o assunto é retenção de talentos.
Segurar os bons
Essa visão passa também por uma mudança cultural dentro das organizações. Josiane foi direta ao dizer que o PJ não pode mais ser tratado como um simples fornecedor. “Ele não é mais um fornecedor, ele é um talento”, afirmou. A diferença parece sutil, mas muda completamente a forma como a empresa se relaciona com esse profissional. Reconhecimento, pertencimento e valorização entram na conta, especialmente em um mercado em que atrair e manter bons profissionais virou desafio diário.
Não é direito, é mimo
Ela também faz questão de separar dois conceitos que muitas vezes se confundem: equidade e igualdade jurídica. Para a diretora, oferecer uma boa experiência ao PJ não significa transformá-lo em CLT na prática, mas sim garantir cuidado e respeito dentro das possibilidades legais. Isso inclui flexibilização de horários, liberdade para manter outras fontes de renda e até novas formas de uso dos benefícios, como incentivos por performance, reconhecimento e pagamento de comissionamentos.
Liberdade e cuidado
Apesar dos avanços, ainda há muito espaço para evolução. Josiane lembra que apenas 31% das grandes empresas brasileiras, com mais de mil funcionários, tratam profissionais PJ de forma semelhante aos celetistas quando o assunto é benefícios. Ou seja: o movimento começou, mas ainda está longe de ser maioria. E talvez esse seja o grande recado do mercado hoje — o talento quer liberdade, sim, mas também quer cuidado. E as empresas que entenderem isso primeiro tendem a sair na frente.



