Mercado em choque: emprego nos EUA surpreende e altera expectativas do Fed
Emprego nos EUA surpreende e desnorteia mercados financeiros

Dados do emprego americano surpreendem e agitam os mercados globais

O mercado financeiro internacional foi pego de surpresa nesta quarta-feira com a divulgação dos números de emprego nos Estados Unidos referentes ao mês de janeiro. Contra todas as expectativas, a economia americana gerou 130 mil novas vagas fora do setor agrícola, um resultado que praticamente dobrou as previsões do mercado, que esperava cerca de 68 mil contratações.

Reações imediatas e revisão de cenários

O impacto foi imediato nos corredores financeiros. As projeções para os cortes de juros pelo Federal Reserve foram drasticamente revisadas, com os analistas reduzindo de três para apenas duas as reduções esperadas para este ano. Este movimento valida a postura cautelosa mantida pelo presidente do Fed, Jerome Powell, que preferiu pausar a baixa dos juros na reunião de 28 de janeiro, mantendo-os na faixa de 3,50% a 3,75%.

O relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) também provocou reações políticas intensas. O ex-presidente Donald Trump, que vinha criticando publicamente a cautela de Powell, rapidamente comemorou os números em sua plataforma Truth Social, escrevendo: "ÓTIMOS NÚMEROS DE EMPREGOS, MUITO MAIORES DO QUE O ESPERADO!". Simultaneamente, ele reiterou seus apelos por reduções mais drásticas nas taxas de juros.

Contradição com dados anteriores e análise de mercado

O que torna este resultado ainda mais surpreendente é a clara contradição com indicadores privados divulgados anteriormente. Dados do grupo Challenger Gray & Christmas mostraram que os empregadores americanos cortaram mais vagas em janeiro do que em qualquer início de ano desde 2009. Paralelamente, o relatório da ADP apontou para uma criação de apenas 22.000 empregos no setor privado.

"Os dados privados que antecederam este episódio contavam uma história diferente", observou Ian Lyngen, chefe de estratégia de taxas de juros nos EUA do BMO Capital Markets. Ele destacou que esta divergência entre os números provavelmente continuará sendo um ponto de discussão relevante enquanto o mercado digere as informações.

Impacto nas moedas e commodities

A forte reação do mercado se estendeu às moedas globais. A expectativa de pausa na baixa dos juros americanos fortaleceu o dólar frente à maioria das divisas internacionais. O euro recuou 0,34%, enquanto a libra esterlina caiu 0,15%. Contudo, o iene japonês se fortaleceu após a vitória política da primeira-ministra Sanae Takaichi em seu plano de reforma constitucional.

No Brasil, o real apresentou desempenho positivo, com o dólar caindo 0,22% para R$ 5,1820, atingindo seu menor patamar desde março de 2024. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central brasileiro, comentou que foi importante o Comitê de Política Monetária aguardar dados mais sólidos tanto dos EUA quanto do Brasil antes de decidir o ritmo dos cortes da Selic em março.

Efeitos no mercado de commodities

Os mercados de commodities também reagiram à força demonstrada pela economia americana. O ouro registrou alta de 0,99%, enquanto o petróleo Brent para entrega em abril valorizou 1,80%, com o barril cotado a US$ 70. Este movimento foi influenciado tanto pelos dados positivos de emprego quanto pelos temores de crise geopolítica entre Estados Unidos e Irã.

A queda da taxa de desemprego para 4,3% em janeiro, ante 4,4% em dezembro, completa um quadro que desafiou as previsões mais pessimistas e colocou os mercados em estado de alerta para os próximos movimentos do Federal Reserve e seus impactos globais.