Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Will Financeira após calote no Mastercard
O Banco Central anunciou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A medida foi tomada após a instituição não efetuar pagamentos ao Mastercard na segunda-feira, 19 de janeiro, devido a falta de liquidez, comprometendo sua situação econômico-financeira.
Contexto da liquidação e controle pelo Banco Master
A Will Financeira era controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, que vinha operando sob o Regime Especial de Administração Temporária (RAET). Este regime foi imposto no contexto da liquidação extrajudicial decretada para o Banco Master em 18 de novembro de 2025. O Banco Central justificou a imposição do RAET como uma tentativa de preservar o funcionamento da Will Financeira, mas essa solução não se mostrou viável.
Em nota divulgada, o BC explicou que "na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira". No entanto, o descumprimento da grade de pagamentos com o arranjo Mastercard levou ao bloqueio de sua participação, tornando a liquidação inevitável.
Impacto no sistema financeiro e medidas do Banco Central
O Conglomerado Master, do qual a Will Financeira fazia parte, era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno, e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial. Ele detinha aproximadamente 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), indicando um impacto limitado, mas significativo no cenário financeiro.
O Banco Central destacou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e comunicações às autoridades competentes. Além disso, conforme a lei, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição foram tornados indisponíveis.
Esta decisão reforça a atuação rigorosa do BC em casos de insolvência e descumprimento de obrigações financeiras, visando proteger o interesse público e a estabilidade do sistema bancário brasileiro.