Banco Central decreta liquidação da Will Financeira e amplia medidas contra grupo Master
O Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, uma decisão que amplia significativamente o processo de intervenção no grupo financeiro Master. A autoridade monetária determinou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, empresa controlada pelo grupo, e decretou a indisponibilidade de bens pertencentes a controladores e ex-administradores da organização.
Medidas rigorosas para preservação de ativos
A medida representa um passo importante no processo de encerramento das atividades do conglomerado, que foi considerado insolvente pelo BC. A liquidação da Will Financeira ocorre no contexto das ações adotadas pelo Banco Central para retirar de operação instituições financeiras consideradas irrecuperáveis.
"A decisão desta quarta-feira amplia o alcance do processo iniciado pela autoridade monetária contra o grupo", explica o comunicado oficial. "O BC apontou o comprometimento da situação financeira e insolvência do Master".
Evolução do processo de intervenção
Segundo especialistas, o Banco Central monitora instituições financeiras que apresentam problemas regulatórios ou dificuldades financeiras significativas. Quando a situação não é resolvida após notificações formais, o BC toma decisões mais drásticas para proteger o sistema financeiro e os interesses dos clientes.
Marcelo Godke, advogado especialista em direito bancário, explicou em entrevista ao Conexão Record News que existem dois caminhos principais que o BC pode seguir em situações como esta. Um deles trata da intervenção e liquidação direta de instituições financeiras, enquanto o outro consiste no decreto do Regime Especial de Administração Temporária.
Mudança no status do Banco Master Múltiplo
Godke detalhou que, inicialmente, o Banco Central tentou uma abordagem diferente para o Banco Master Múltiplo, que controla a Will Financeira. "Tentaram salvar o chamado Banco Master Múltiplo [...] para ver se daria, por exemplo, uma possibilidade de salvar a Will Financeira ou até vender para terceiros, porque isso tem valor de mercado", afirmou o especialista.
No entanto, após análise mais aprofundada da situação, as autoridades chegaram à conclusão de que nem mesmo essa instituição poderia ser recuperada. "Passado o tempo, com a intervenção e a liquidação do Banco Master, eles chegaram à conclusão que a Will Financeira também não pode ser salva", explicou Godke.
Transição para liquidação plena
Como resultado dessa avaliação, o Banco Central determinou a retirada do Banco Master Múltiplo do regime de administração especial temporária e sua transferência para liquidação plena. Esta decisão marca o fim das tentativas de recuperação do grupo e inicia a fase final de encerramento completo de suas operações.
A medida alcança não apenas as empresas do conglomerado, mas também seus investimentos e executivos, com o objetivo principal de garantir a preservação máxima de ativos durante todo o processo de desativação das atividades.
Contexto regulatório e proteção do sistema financeiro
As ações do Banco Central seguem protocolos estabelecidos para situações de insolvência no setor financeiro brasileiro. A liquidação extrajudicial representa um mecanismo ágil para lidar com instituições que não apresentam condições de continuar operando de forma segura e estável.
O caso do grupo Master, liderado por Daniel Vorcaro, serve como exemplo dos procedimentos que podem ser acionados quando uma organização financeira enfrenta dificuldades insuperáveis, garantindo que o encerramento de suas atividades ocorra de maneira ordenada e com máxima proteção aos ativos envolvidos.