Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, ex-integrante do Grupo Master
BC liquida Banco Pleno, ligado ao Grupo Master, em meio a crise

Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, ex-integrante do Grupo Master

O Banco Central do Brasil determinou nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a liquidação do Banco Pleno, instituição que já integrou o Grupo Master. Esta decisão marca o quarto processo de liquidação desde novembro de 2025, quando a crise do Master se tornou pública, e foi anunciada durante o feriado de carnaval, antes da abertura do mercado financeiro.

Motivações e contexto da liquidação

Segundo o Banco Central, a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com uma deterioração significativa da liquidez. O BC avaliou que o Grupo Pleno perdeu a capacidade de honrar compromissos cotidianos, como saques de clientes. Além do Banco Pleno, o BC também liquidou a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, ampliando o impacto da medida.

O Banco Pleno operava anteriormente sob o nome de Voiter e fazia parte do conglomerado Master até junho de 2025. Posteriormente, foi vendido para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, e renomeado como Banco Pleno. O BC destacou que o Pleno tinha uma participação mínima no sistema financeiro, representando apenas 0,05% do total de capitações.

Impactos financeiros e ressarcimentos

Com a liquidação, o Banco Pleno deixa de operar, e o Banco Central nomeou um liquidante responsável por elaborar uma lista de credores, incluindo pessoas e empresas com investimentos no banco. Estima-se que cerca de 160 mil clientes sejam afetados. Aqueles com até R$ 250 mil em depósitos serão ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), custeado por instituições financeiras para situações como esta.

O FGC deve desembolsar quase R$ 5 bilhões para os credores do Banco Pleno. No caso do Master, o ressarcimento já ultrapassa R$ 40 bilhões, com R$ 37 bilhões já pagos. Os clientes do Will Bank, banco digital do Master liquidado em janeiro, devem receber mais R$ 6 bilhões. No total, o valor gasto pelo FGC em meio ao escândalo do Master pode superar R$ 51 bilhões, evidenciando a magnitude da crise.

Contexto policial e investigações

Em novembro de 2025, quando o Master foi liquidado, a Polícia Federal realizou uma operação contra esquemas de fraudes financeiras, resultando na prisão temporária de Augusto Lima e Daniel Vorcaro. Ambos foram soltos e passaram a usar tornozeleira eletrônica. A defesa de Augusto Lima não se manifestou sobre a liquidação.

Paralelamente, o Banco de Brasília (BRB), investigado no inquérito da PF sobre a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master, enfrenta a necessidade de recompor seu capital para continuar operando. Reuniões semanais com o Banco Central têm sido realizadas para discutir o caso.

A defesa do ex-dirigente do BRB, Paulo Henrique Costa, que liderava a instituição durante as negociações com o Master, afirmou nesta quarta-feira que ele se ofereceu para prestar um novo depoimento à PF, mas negou que isso faça parte de um acordo de delação premiada.

Esta liquidação reforça os desafios contínuos no sistema financeiro brasileiro, com o Banco Central atuando para conter os efeitos da crise do Grupo Master e proteger os interesses dos clientes e da economia nacional.