Maranhão lidera informalidade: 58,4% da renda familiar vem de trabalho sem carteira
Maranhão tem 58,4% de trabalho informal em 2025

O trabalho informal se consolidou como a principal fonte de renda para a maioria das famílias no Maranhão. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o estado atingiu uma taxa de informalidade de 58,4% em 2025, ocupando o topo do ranking nacional.

A realidade por trás dos números

Com aproximadamente 60% da população economicamente ativa sem carteira de trabalho assinada, a busca por alternativas de sustento se tornou uma necessidade. Para muitos maranhenses, a resposta tem sido o empreendedorismo por necessidade, uma forma de garantir o sustento familiar diante da escassez de empregos formais.

Nas ruas e esquinas, a cena é comum: vendedores autônomos oferecem de tudo, desde fatias de torta até peixes frescos. Essa é a rotina que movimenta a economia local e coloca comida na mesa de milhares de pessoas.

Histórias de quem vive da informalidade

Geniel da Silva Santos personifica essa estatística. Dono de um trailer de pastéis, ele enfrenta uma rotina agitada para atender à clientela. “A gente tem que trabalhar na correria, todo dia a gente está aqui”, relata. Em dias movimentados, ele consegue vender entre 70 e 100 pastéis, um esforço diário que começa no final da tarde para garantir o sustento.

Outro exemplo é Edvan Galvão, que desde 2018 atua como vendedor informal de camarão, farinha, tucupi e caranguejo em diversos pontos da cidade. Para ele, a atividade exige mais do que disposição: “O empreendedor na rua tem que ter coragem, né? Porque o cara enfrentar todo dia essa correria aí não é fácil”, afirma, destacando os desafios enfrentados.

Falta de emprego formal impulsiona autonomia

A trajetória de Daniel dos Santos segue o mesmo caminho. Integrante dos 58% da população que trabalha de forma autônoma, ele sustenta a família vendendo mingau de milho. Em sua visão, a opção pelo trabalho informal é uma resposta direta às falhas do mercado formal. “Falta de emprego, salário muito baixo... E você vendendo assim, autônomo, tem um lucro melhor”, explica.

O relato de Daniel aponta para um consenso entre os trabalhadores: o desemprego e os baixos salários são os principais motivos que levam os maranhenses a optarem pelo empreendedorismo informal. Essa é uma solução prática, embora instável, para contornar a crise econômica e a falta de oportunidades com carteira assinada.

Um retrato da economia estadual

A alta taxa de informalidade no Maranhão não é apenas um número, mas um reflexo profundo das condições socioeconômicas do estado. A atividade comercial autônoma se tornou um pilar essencial, movimentando setores como alimentação e pesca artesanal.

Enquanto o governo não cria políticas efetivas de geração de emprego formal, a coragem e a resiliência dos trabalhadores informais continuam sendo o motor que mantém milhares de famílias longe da linha da pobreza extrema. A realidade do Maranhão, portanto, ilustra um Brasil onde a informalidade deixa de ser uma exceção e se transforma na regra para a sobrevivência.