IPCA 2025: Energia e Uber lideram inflação de 4,26%; alimentação freia alta
IPCA 2025 fecha em 4,26% com alta recorde de 56% no Uber

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao ano de 2025. O resultado oficial aponta uma inflação de 4,26% no período, com o mês de dezembro registrando alta de 0,33%.

Os grandes vilões da inflação em 2025

Dentro do índice, alguns itens se destacaram por puxar a inflação para cima. O campeão de impacto foi a energia elétrica residencial, que subiu 12,31% no ano e foi responsável sozinha por 0,48 ponto percentual do IPCA total. A alta foi sentida com mais força em Porto Alegre, onde a conta de luz subiu 23,50%, e em São Paulo, com aumento de 18,64%.

Porém, o reajuste mais espantoso veio do setor de transportes. As tarifas de transporte por aplicativo, como Uber, dispararam 56,08% em 2025. Em comparação, as tarifas de táxi convencional tiveram reajuste de 9,46%. Esse salto fez com que o grupo Transporte quase igualasse o peso tradicional da Alimentação e Bebidas no orçamento familiar, contribuindo com 0,63 ponto percentual para a inflação.

Outros serviços também pressionaram o bolso do brasileiro. Os planos de saúde ficaram 6,42% mais caros, os aluguéis residenciais subiram 6,00%, e até os lanches fora de casa tiveram alta de 11,35%. Itens como jogos de azar (+15,17%) e serviços de correios (+12,31%) completam a lista de reajustes significativos.

Alimentação em casa segura os preços

Enquanto serviços disparavam, a inflação dos alimentos apresentou uma forte desaceleração, atuando como um freio importante no índice geral. O grupo Alimentação e Bebidas, que havia subido 7,69% em 2024, avançou apenas 2,95% em 2025.

Esse comportamento foi puxado por quedas expressivas nos preços de itens básicos da cesta. O feijão preto ficou 32,18% mais barato, o arroz caiu 26,56%, e o leite longa vida recuou 12,87%. A carne bovina, item sensível no orçamento, subiu apenas 1,22% no ano.

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA no IBGE, ressaltou a importância do resultado. "Esse é o quinto menor resultado da série desde o Plano Real (em 31 anos)", afirmou. Os índices mais baixos anteriores foram registrados em 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%).

Consequências para o bolso do consumidor

A composição da inflação traz impactos diretos e diferentes para diversos grupos. Enquanto o salário-mínimo foi reajustado em 6,78% para R$ 1.621, com base em índices anteriores, os aposentados que ganham acima do piso terão correção menor.

Isso ocorre porque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para o reajuste dos benefícios, fechou 2025 em 3,90%, abaixo dos 4,26% do IPCA. A recomendação do especialista é que esses aposentados adaptem suas despesas, priorizando o consumo doméstico e reduzindo gastos com lazer e alimentação fora de casa.

O cenário de 2025 desenha uma inflação de duas velocidades: de um lado, a pressão forte e contínua dos serviços e da habitação; de outro, o alívio proporcionado pela queda nos preços dos alimentos in natura. O desafio para 2026 será conter os reajustes nos setores que mais pesam no dia a dia das famílias.