Do frete aos produtos no supermercado, a alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pela crise entre Estados Unidos e Irã, já afeta o bolso dos gaúchos. No Rio Grande do Sul, o valor médio do diesel subiu de R$ 6,23 para R$ 7,53 em apenas um mês, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O impacto do diesel, que abastece 85% da produção estadual, vai além das bombas: encarece o frete e outros insumos.
Reações e consequências
“Com isso, outros aumentos estão chegando, como óleos lubrificantes, pneus e recapagens”, afirma o presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no RS (Fetransul), Francisco Cardoso. A contadora Vitória Staevie desabafa: “Está cada vez pior, não estamos sabendo onde recorrer”. O líder de manutenção Gabriel Eduardo Christmann compartilha a sensação: “Está um absurdo. Para nós, consumidores do dia a dia, está bem delicado”. No fim da cadeia, o frete mais caro se reflete nos preços dos alimentos. “Você vem com uma quantia de dinheiro e, quando vê, volta com duas sacolinhas para casa”, lamenta a aposentada Ana Luiza Dihl.
Medida Provisória do governo
Para tentar conter o aumento, o governo federal publicou uma Medida Provisória (MP) com dois meses de subsídio, que pode gerar um desconto de 40 a 45 centavos por litro na gasolina. No entanto, o presidente do Sindicato dos Postos (Sulpetro), Fabricio Severo Braz, alerta que o repasse não é garantido, pois depende do custo de compra de cada revendedor. Segundo o economista Silvio Cezar Arend, o aumento dos combustíveis é um dos maiores componentes da inflação, e o risco de novas altas “está batendo na porta”.



