IPCA 2025 fecha em 4,26%, menor inflação em sete anos
Inflação de 2025 fica em 4,26%, abaixo da meta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, fechou o ano de 2025 em 4,26%. O resultado ficou abaixo do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional e representa a menor taxa dos últimos sete anos. Apesar do dado geral positivo, a composição da inflação revela pressões em setores específicos que continuam pesando no bolso do brasileiro.

Energia Elétrica: O Vilão da Inflação em 2025

O item que mais contribuiu para a alta de preços no ano passado foi a energia elétrica. Trata-se de um preço administrado que, em média, compromete cerca de 3% do orçamento familiar. Os reajustes ocorridos em 2025 estiveram ligados a problemas hídricos, que levaram à adoção de bandeiras tarifárias. O ano terminou com a bandeira amarela ainda em vigor, impondo custos extras à geração.

Para setores como o de alimentos, o custo da energia é um fator crítico. "A gente gasta energia, principalmente para manutenção da cadeia de frio. São várias câmaras frigoríficas que funcionam 24 horas por dia. Essa cadeia de frio ela custa caro", explica a nutricionista Alba Valéria dos Santos Aragão. O coordenador de índices de preços da FGV Ibre, André Braz, corrobora: a energia foi o fator de maior peso na inflação do período.

Alimentos e Serviços: Comportamentos Diferentes

Por outro lado, o grupo de alimentos, que tem grande influência no cálculo do IPCA, desacelerou significativamente na comparação entre 2025 e 2024. Itens como o arroz tiveram uma queda expressiva de 26%, enquanto o leite recuou quase 13%. Segundo analistas, condições climáticas e de safra favoráveis em 2025 permitiram essa desaceleração, fazendo com que a inflação de comer em casa caísse ainda mais na comparação anual.

Contudo, a trégua oferecida pelos alimentos não se repetiu em outros segmentos essenciais. Serviços como educação, despesas pessoais e saúde fecharam 2025 com altas elevadas. "Os preços não deixaram de subir e é por isso que as famílias têm essa sensação. Ué, a inflação tá mais baixa, mas eu não estou pagando menos. Realmente, não vai pagar menos porque os preços não caíram, eles só caminharam mais lentamente", pondera André Braz.

Inflação de Dezembro e a Pressão Sazonal

O IBGE também divulgou a inflação do mês de dezembro, que foi fortemente impactada pela alta nos transportes. Passagens aéreas e viagens por aplicativos de mobilidade turbinaram os preços durante a temporada de férias, refletindo a demanda sazonal. A situação ilustra como, mesmo em um cenário de inflação anual controlada, custos pontuais podem pressionar o orçamento em momentos específicos.

O resultado de 4,26% consolida um patamar baixo no histórico recente, sendo um dos menores desde o Plano Real. No entanto, a análise detalhada dos componentes do índice mostra uma realidade complexa: enquanto alguns preços cedem, outros, especialmente os de serviços essenciais, mantêm trajetória de alta, explicando a sensação de descompasso entre o índice oficial e a percepção no dia a dia das famílias.