Inadimplência sobe em fevereiro com metade dos brasileiros endividados, aponta BC
Inadimplência sobe em fevereiro com metade dos brasileiros endividados

Inadimplência das famílias avança em fevereiro com juros elevados

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, dados preocupantes sobre a situação financeira das famílias brasileiras. A inadimplência subiu 0,2 ponto percentual em fevereiro em comparação com janeiro, encerrando o mês anterior em 5,2%. Enquanto isso, o endividamento da pessoa física permaneceu estável em fevereiro, mantendo-se no mesmo patamar de janeiro, que foi de 49,7%.

Endividamento em alta nos últimos doze meses

Nos últimos 12 meses até fevereiro, houve um aumento significativo de 1,1 ponto percentual no endividamento das famílias, com o indicador evoluindo de 48,6% para 49,7%. O comprometimento de renda também apresentou crescimento, subindo 0,1 ponto percentual no mês e 1,6 ponto percentual em doze meses, alcançando a marca de 29,3%.

A inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional aumentou 0,2 ponto percentual no mês, atingindo 4,3%. Esse avanço foi impulsionado por um aumento de 0,2 ponto percentual na inadimplência de pessoas jurídicas, que chegou a 2,6%. No crédito com recursos livres, a inadimplência também cresceu 0,2 ponto percentual, alcançando 5,5%, com aumentos equivalentes nas carteiras de pessoas jurídicas e de pessoas físicas.

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Cenário de juros elevados e crédito restritivo

Essa alta da inadimplência ocorre em um contexto marcado por juros elevados e um forte endividamento tanto de empresas quanto de famílias. Em meio a esse cenário, o crédito apresentou um ritmo de crescimento mais lento, com um acréscimo de 9,6% ante 10,1% até janeiro deste ano.

Na mesma base de comparação, observaram-se variações de 7,1% ante 8,3% no crédito às pessoas jurídicas e de 11,2% ante 11,3% no crédito às pessoas físicas. O estoque das operações de crédito do SFN alcançou R$ 7,1 trilhões em fevereiro, registrando um crescimento mensal de 0,4%.

Especificamente, houve um aumento de 0,6% no crédito às famílias, enquanto o crédito às empresas permaneceu estável, com saldos respectivos de R$ 4,5 trilhões e R$ 2,7 trilhões. O crédito com recursos livres cresceu 0,1% no mês e 7,7% em doze meses, totalizando R$ 4,1 trilhões.

Detalhamento do crédito livre e direcionado

No crédito livre às empresas, o estoque de R$ 1,6 trilhão diminuiu 0,3% no mês e avançou 0,9% em doze meses. Foram determinantes as reduções em desconto de duplicatas e outros recebíveis (-2,2%), antecipação de faturas de cartão de crédito (-1,5%) e de financiamento às exportações (-0,8%).

No crédito às famílias, o saldo de R$ 2,5 trilhões apresentou incrementos de 0,3% no mês e de 12,6% em doze meses. No crédito às pessoas físicas, houve um avanço disseminado entre as principais modalidades, com destaque para crédito consignado privado (+5,9%), aquisição de veículos (+1,3%), crédito pessoal não consignado (+1,2%) e crédito consignado para beneficiários do INSS (+1,5%).

No cartão de crédito à vista, houve uma redução de 2,9%, influenciada pela ocorrência de três dias úteis a menos no mês em relação ao mês anterior. O estoque de crédito direcionado alcançou R$ 3,1 trilhões em fevereiro, com incrementos de 0,8% no mês e de 12,2% em doze meses.

O crédito direcionado às empresas alcançou R$ 1,1 trilhão, com altas de 0,6% no mês e de 17,7% em doze meses. Na mesma ordem, o crédito direcionado às famílias aumentou 0,9% e 9,5%, atingindo R$ 2,0 trilhões, com destaque para a expansão da carteira de financiamento imobiliário com taxas reguladas (+0,8%).

Concessões nominais e taxas de juros

As concessões nominais somaram R$ 602,3 bilhões em fevereiro. Com ajuste sazonal, as novas contratações recuaram 0,5% no mês, com diminuição de 1,9% nas operações com pessoas jurídicas e aumento de 0,3% nas operações com pessoas físicas.

No acumulado em doze meses até fevereiro de 2026, as concessões nominais cresceram 8,2%, sendo 8,1% no crédito às empresas e 8,3% no crédito às famílias. A taxa média de juros das concessões avançou 0,3 ponto percentual no mês e 2,6 pontos percentuais em doze meses, situando-se em 33,0% ao ano.

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O spread bancário alcançou 22,1 ponto percentual, com acréscimo mensal de 0,5 ponto percentual e de 2,8 pontos percentuais em doze meses. No crédito livre às famílias, a taxa média de juros atingiu 62,0% ao ano, com uma alta anual de 5,4 pontos percentuais, predominando o efeito da variação das carteiras em relação ao das taxas.

Destacou-se a elevação da taxa média das operações de cartão de crédito rotativo, que subiu 11,4 pontos percentuais. Esses números reforçam o cenário desafiador enfrentado pelos consumidores brasileiros, que lidam com custos de crédito elevados em um período de endividamento persistente.