Os mercados brasileiros encerraram em tom negativo nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em baixa de 0,17%, aos 176,9 mil pontos. O dólar, por sua vez, recuou mais de 1% e voltou a ser negociado a R$ 4,99. Os principais catalisadores foram a continuidade das tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o Irã, além de indicadores econômicos domésticos decepcionantes.
Tensões geopolíticas e petróleo elevado
No exterior, o contexto piorou diante das incertezas sobre um acordo entre os EUA e o Irã. O presidente americano Donald Trump publicou mensagens de forte teor ameaçador em sua rede Truth Social, afirmando que “o tempo está correndo” e que, se Teerã não agir rapidamente, “não sobrará nada”. Foi o posicionamento mais duro desde o início das discussões sobre um cessar-fogo na região. O Irã respondeu à proposta mais recente dos EUA e as negociações prosseguem, mas o barril de petróleo Brent continua cotado a cerca de US$ 108. “Esse comportamento mostra uma preocupação crescente com pressões inflacionárias adicionais, o que naturalmente joga um balde de água fria sobre a expectativa de cortes de juros nos EUA no curto prazo”, afirma Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.
Dados domésticos: Focus e IBC-Br
No cenário doméstico, o destaque foi a divulgação do Boletim Focus semanal. Os economistas consultados pelo Banco Central elevaram levemente as expectativas de inflação de 4,91% para 4,92%, novamente acima do teto da meta de 4,5%. As projeções para a taxa Selic também subiram, de 13% ao ano para 13,25% ao ano, ainda indicando um corte em relação ao patamar atual de 14,5%.
Outro indicador foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a prévia do PIB, que caiu 0,7% em março ante fevereiro. O resultado veio abaixo da mediana das projeções do mercado, que esperava recuo de 0,4%, após alta de 0,6% no mês anterior. “O resultado de março acende um alerta e mostra que o crescimento começa a perder tração justamente em um momento em que o mercado ainda convive com expectativas inflacionárias desancoradas”, aponta Correia.
Dólar e fatores políticos
O dólar recuou mais de 1% e voltou aos R$ 4,99, realizando lucros após o escândalo financeiro envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Além disso, as expectativas de alta na Selic pelo Focus reforçam a perspectiva de juros brasileiros elevados por mais tempo, o que ajuda a sustentar o real.



