Governo brasileiro recua de alta no imposto sobre itens de tecnologia após pressão do setor
Em uma decisão que reflete a sensibilidade política e econômica do momento, o governo brasileiro recuou de uma medida fiscal que havia gerado forte reação. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) cancelou oficialmente o aumento do imposto de importação sobre 15 itens estratégicos de informática e telecomunicações, incluindo smartphones, notebooks, placas-mãe, roteadores, mouses, memórias e CPUs.
Pressão empresarial força reversão parcial de pacote tarifário
O movimento representa uma reversão parcial do pacote aprovado no final de janeiro, que havia elevado as tarifas de mais de mil produtos. A medida inicial foi rapidamente percebida pelo mercado como um esforço adicional de arrecadação em meio às dificuldades fiscais que o país enfrenta. No final de 2025, o governo estimava levantar aproximadamente R$ 14 bilhões com a alta do imposto de importação.
Entretanto, entidades do setor de tecnologia e máquinas argumentaram vigorosamente que o aumento de tarifas sobre componentes e equipamentos estratégicos traria consequências negativas significativas. Segundo essas associações empresariais, a medida encareceria investimentos, pressionaria cadeias produtivas inteiras e poderia afetar diretamente a inflação, em um momento de crescimento econômico moderado e sensibilidade extrema aos preços.
Custo político supera benefício fiscal em ambiente econômico sensível
Diante do desgaste político e das críticas de setores industriais importantes, o governo optou por recalibrar sua abordagem. Em um ambiente onde o custo político da medida claramente superou seu potencial benefício fiscal, a administração federal decidiu fazer concessões significativas.
Além de manter as alíquotas originais para os 15 itens mais sensíveis, a Camex aprovou medidas adicionais para aliviar a pressão sobre o setor produtivo. A câmara concedeu ex-tarifários e zerou, por um período de 120 dias, a tarifa de importação de 105 bens de capital, informática e telecomunicações.
Esta decisão demonstra como o governo testou os limites de sua política tarifária e encontrou resistência substancial. O episódio revela a complexa balança entre necessidades fiscais imediatas e os impactos de longo prazo sobre a competitividade industrial e a inflação.
O setor de tecnologia, que havia se mobilizado intensamente contra os aumentos, vê a decisão como uma vitória importante. Analistas econômicos observam que a reversão parcial sugere uma maior flexibilidade do governo em responder a pressões setoriais significativas, especialmente quando essas pressões estão alinhadas com preocupações mais amplas sobre inflação e investimentos.
