Economia Brasileira Crescia Antes da Guerra, mas Petróleo e Dólar Afetam Perspectivas
Economia ia bem antes da guerra, mas petróleo e dólar afetam PIB

Economia Brasileira Apresentava Crescimento Antes do Conflito no Oriente Médio

Os dados mais recentes do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgados para o mês de fevereiro de 2026, revelaram um crescimento de 0,6% em relação a janeiro, indicando que a economia brasileira estava em trajetória positiva antes do início das hostilidades entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, no final de fevereiro. Esse conflito, no entanto, virou a biruta da economia mundial de cabeça para baixo, com efeitos diretos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Impacto Imediato nos Mercados de Petróleo e Câmbio

O barril de petróleo do tipo Brent, referência para entrega no primeiro vencimento futuro, que era maio e agora é junho, experimentou uma alta expressiva, saltando da faixa de US$ 70 para atingir US$ 118. Na tarde desta quinta-feira, às 12:30 (horário de Brasília), o preço era negociado a US$ 98,30, representando uma alta de 3,57%.

Paralelamente, o impasse nas negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo, fortaleceu ligeiramente o dólar frente ao real. A moeda norte-americana foi cotada a R$ 5,0060, com alta de 0,26%. Especialistas alertam que, na economia atual, marcada por incertezas, olhar apenas para os dados passados não garante previsões acertadas.

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Detalhamento do Crescimento do IBC-Br em Fevereiro

O IBC-Br, que serve como uma prévia do PIB, apresentou os seguintes números na série com ajuste sazonal:

  • Agropecuária: variação de 0,2%
  • Indústria: crescimento de 1,2%
  • Serviços: avanço de 0,3%

Excluindo a agropecuária, o índice avançou 0,6% no mês. No trimestre encerrado em fevereiro de 2026, comparado ao trimestre terminado em novembro de 2025, o IBC-Br registrou alta de 1,1%. Nos últimos 12 meses, o indicador acumulou crescimento de 1,9%, valor que coincide com a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia brasileira em 2026.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) antecipou a divulgação do PIB do primeiro trimestre para 29 de abril, devido ao feriado de 1º de maio.

Pesquisa do Itaú Revela Maior Disrupção no Mercado de Petróleo

O banco Itaú publicou nesta quinta-feira a pesquisa “Orange Book”, que ouviu diversos setores da economia para medir o impacto do que classificou como a maior disrupção já registrada no mercado global de petróleo. Os resultados mostram que:

  1. Todos os setores pesquisados já sofreram reajustes de preços por parte de fornecedores ou receberam sinalizações nesse sentido.
  2. Há intenção de repassar os aumentos de custos para os preços finais, embora a intensidade varie conforme o caso.
  3. Problemas de oferta, como atrasos ou cancelamentos, ainda não são predominantes, mas há preocupações moderadas com possível escassez futura.
  4. Todos os setores enfrentam dificuldades para substituir produtos por alternativas menos dependentes de petróleo, com destaque para construção e veículos pesados.
  5. Por enquanto, nenhum setor reporta redução na demanda.

Perspectivas para o Varejo e Setores Específicos

Com base no avanço de 0,6% no volume de vendas em fevereiro, o Itaú projeta vendas no varejo mais sustentadas no primeiro trimestre, impulsionadas pela isenção do imposto de renda e o aumento do salário-mínimo.

O Bradesco, por sua vez, observou que o aumento das vendas em fevereiro foi liderado pelo comércio de veículos e supermercados. O banco destacou que “o resultado de fevereiro foi impulsionado pelos segmentos mais sensíveis à renda (+1,1% frente a janeiro), enquanto os segmentos mais sensíveis ao crédito avançaram apenas 0,1%”.

No primeiro bimestre de 2026, as vendas de veículos cresceram 4,5%, e, segundo dados de emplacamentos divulgados pela Fenabrave, essa categoria deve registrar novo avanço em março. Com isso, espera-se que o crescimento das vendas de veículos no primeiro trimestre supere o registrado no trimestre encerrado em dezembro de 2025, que foi de 2,5%.

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Já o comércio de material de construção apresentou crescimento de 0,5% em fevereiro, após alta de 3,3% em janeiro. Esse desempenho nos primeiros dois meses do ano recupera parcialmente a queda de 4,1% observada em dezembro, mas o nível de vendas dessa categoria permanece praticamente estagnado desde o segundo semestre de 2025.

Para o Bradesco, o aumento das vendas em fevereiro é consistente com sua projeção de crescimento robusto de 1% do PIB no primeiro trimestre, em comparação com o quarto trimestre de 2025.