Dólar sobe com alta do petróleo e incertezas no Oriente Médio; inflação preocupa
Dólar sobe com alta do petróleo e incertezas no Oriente Médio

Dólar inicia semana em alta com pressão do petróleo e cenário internacional

O dólar começou a sessão desta segunda-feira (30) com valorização de 0,16%, cotado a R$ 5,2496 na abertura. O movimento reflete as incertezas no mercado internacional, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio, que já dura cerca de um mês e continua influenciando as expectativas econômicas.

Petróleo dispara com tensões geopolíticas

No mercado internacional, o petróleo registrou nova rodada de alta significativa. Pouco antes das 9h, o barril do Brent avançava 2,38%, alcançando US$ 115,25 por barril, enquanto o WTI subia 2,12%, cotado a US$ 101,75. Essa alta reflete o ceticismo dos investidores sobre um possível cessar-fogo na guerra envolvendo o Irã.

A situação no Oriente Médio preocupa especialmente porque pode afetar a produção e o transporte de petróleo e gás natural no Golfo Pérsico, uma das regiões mais importantes do mundo para a oferta desses combustíveis. Caso o conflito persista, parte relevante do petróleo pode deixar de chegar ao mercado internacional, pressionando os preços e alimentando a inflação global.

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Inflação brasileira em alta e desemprego aumenta

No cenário macroeconômico doméstico, o mercado voltou a elevar a projeção para a inflação oficial do Brasil neste ano. De acordo com o boletim Focus, a estimativa para o IPCA subiu para 4,31%, ante 4,17% na semana anterior — representando o terceiro aumento consecutivo. Diante desse cenário, também aumentam as apostas de que o Banco Central possa reduzir os juros em ritmo menor nos próximos meses.

Além disso, a taxa de desemprego no Brasil subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, puxada principalmente pelo fim de vagas temporárias típicas do fim de ano, segundo dados do IBGE. O resultado ficou acima dos 5,4% registrados no trimestre até janeiro. Ao todo, 6,2 milhões de pessoas buscaram trabalho sem conseguir uma vaga — 600 mil a mais na comparação com o trimestre anterior.

Mercados globais em volatilidade

Os mercados financeiros ao redor do mundo operavam com queda, refletindo a continuidade da guerra no Oriente Médio. Nos Estados Unidos, as bolsas em Wall Street caminham para encerrar a quinta semana seguida de perdas, o que seria a sequência negativa mais longa em quase quatro anos.

Na Europa, as ações caíram, mas registraram um ganho modesto na semana, refletindo os sinais conflitantes do Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,9% no dia, a 575,37 pontos, com a maioria dos setores no vermelho. Ainda assim, acumulou alta de 0,4% na semana.

Na Ásia, o fechamento foi misto: na China, o índice de Xangai subiu 0,63%, enquanto em Hong Kong o Hang Seng teve alta de 0,38%. Já no Japão, o Nikkei recuou 0,43%, e na Coreia do Sul, o Kospi caiu 0,40%.

Desenvolvimentos políticos e negociações

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou em 10 dias o prazo que havia dado para atacar instalações de energia do Irã, por avanços nas negociações para tentar encerrar a guerra. Apesar disso, a capital iraniana, Teerã, voltou a ser alvo de bombardeios de Israel.

Durante a reunião do G7, a ministra do Interior do Reino Unido, Yvette Cooper, acusou o Irã de "tomar a economia mundial como refém" ao restringir a passagem de petroleiros pelo estreito. O encontro conta com a presença do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que deve ser pressionado por representantes de outros países a explicar a estratégia da Casa Branca para o conflito.

No Brasil, o governo federal ainda tenta fechar um acordo com os Estados Unidos sobre a proposta de subvenção compartilhada na importação de diesel. A reunião realizada na sexta-feira terminou sem consenso entre as partes.

Indicadores financeiros em destaque

  • Dólar: Acumulado da semana: -1,26%; Acumulado do mês: +2,09%; Acumulado do ano: -4,51%.
  • Ibovespa: Acumulado da semana: +3,03%; Acumulado do mês: -3,83%; Acumulado do ano: +12,68%.

O cenário econômico continua volátil, com investidores atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus impactos nos preços do petróleo, na inflação global e nas políticas monetárias dos principais bancos centrais.

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