SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar registra forte recuo nesta segunda-feira (18), impulsionado pelo alívio nos preços do petróleo, que aumenta o apetite por risco e beneficia moedas emergentes como o real. A commodity cai após informações de uma agência iraniana de que os Estados Unidos teriam aceitado suspender sanções ao petróleo do Irã, conforme fontes próximas às negociações.
Movimentação do Dólar e Mercados
Por volta das 14h43, a moeda norte-americana recuava 1,29%, cotada a R$ 5,000, em linha com o exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,26%. No mesmo horário, a Bolsa registrava queda de 0,33%, aos 176.697 pontos.
Negociações Irã-Estados Unidos
O exterior é o foco do pregão, especialmente as negociações entre Irã e Estados Unidos. Teerã teria enviado uma resposta à proposta de paz norte-americana. O Paquistão, mediador, confirmou o recebimento e encaminhamento do documento. O porta-voz do ministério de Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, afirmou: "Os pontos destacados são demandas iranianas que têm sido firmemente defendidas pelo país a cada rodada de negociações." A agência Tasnim informou que os EUA aceitaram suspender sanções ao petróleo iraniano. Segundo a Reuters, os EUA também demonstraram flexibilidade em permitir que o Irã mantenha atividades nucleares pacíficas sob supervisão da AIEA.
Contexto de Tensões e Petróleo
O alívio ocorre após aumento das tensões no domingo (17), quando o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã: "Para o Irã, o tempo está acabando, e é melhor eles se mexerem, rápido, ou não restará nada deles". A guerra pressiona as cotações do petróleo e adiciona incertezas às cadeias globais, aumentando a preocupação com inflação. O barril Brent chegou a US$ 111,99, alta de 2,5%.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, comenta: "O tom duro de Donald Trump nas redes sociais adicionou prêmio de risco, antes de novos rumores sobre uma proposta revisada do Irã estimularem o recuo do preço da commodity."
Impactos no Brasil
No Brasil, o conflito já aparece nos indicadores e leva o Copom a adotar postura mais cautelosa. A ata da última reunião mostra que as divulgações de inflação indicam efeitos dos conflitos no Oriente Médio. O Boletim Focus projeta inflação de 4,92% para o fim do ano, acima do centro da meta de 3%.
Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, afirma: "Esse quadro reforça a leitura de política monetária ainda restritiva por mais tempo, o que tende a pesar em setores sensíveis a juros."
IBC-Br e Atividade Econômica
O IBC-Br registrou queda de 0,7% na comparação mensal, ante estimativa de retração de 0,2%. Foi o primeiro recuo mensal no ano e o mais intenso desde maio de 2025. Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, destaca: "O desempenho menos positivo observado em março reforça a necessidade de cautela à frente devido ao cenário macroeconômico adverso por conta do impasse no Oriente Médio."
Caso Flávio Bolsonaro e Mercado
Internamente, investidores acompanham os desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro. O site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", com aporte de R$ 61 milhões. Flávio nega irregularidades. A Polícia Federal suspeita que recursos de Vorcaro financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA. As revelações provocaram alta de 2,24% do dólar em 5 de dezembro, quando Flávio foi anunciado como candidato de Jair Bolsonaro.
A volatilidade acompanha o temor de que o caso dificulte a candidatura presidencial de Flávio. Na sexta-feira (15), o dólar fechou a R$ 5,066, maior nível desde 8 de abril. No menor nível do ano, a moeda chegou a R$ 4,892 em 11 de maio.



