Dólar recua e petróleo sobe com tensões no Oriente Médio; governo anuncia medidas
O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (7) em baixa, recuando 0,14% às 9h01, sendo negociado a R$ 5,1390. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. A escalada das tensões no Oriente Médio continua repercutindo no cenário internacional, com o conflito entrando em um momento decisivo: termina nesta noite o prazo estabelecido por Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.
Contexto internacional e impacto no petróleo
Na véspera, Trump afirmou que a reabertura da rota é uma "prioridade muito grande". A declaração chama atenção porque, anteriormente, o próprio presidente havia indicado que esse ponto não era central nas negociações. Diante desse cenário, o preço do petróleo opera em alta nesta terça-feira. Por volta das 8h30, o barril do tipo Brent subia 0,60%, negociado a US$ 110,39 — perto do patamar de US$ 110.
Após semanas de escalada militar no Oriente Médio, um plano de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, mediado pelo Paquistão, chegou a ser apresentado, segundo agências internacionais. No entanto, a proposta articulada por EUA e Israel foi rejeitada por Teerã, de acordo com a agência estatal Irna. O governo iraniano, inclusive, apresentou uma contraproposta. O presidente Donald Trump chegou a elogiar a iniciativa, mas afirmou que o texto ainda não é suficiente.
O plano previa duas etapas:
- Um cessar-fogo imediato, que poderia viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz — fechado há mais de um mês.
- Negociações para um acordo mais amplo em até 15 a 20 dias, com possíveis concessões do Irã em relação ao programa nuclear, em troca de alívio de sanções.
Segundo a Irna, porém, Teerã prefere negociar o encerramento definitivo do conflito, e não uma trégua temporária que, na avaliação do governo, poderia abrir espaço para novos ataques por parte dos adversários. Em postagem no domingo (5), líder americano ameaçou atacar pontes e usinas de energia no Irã, se o Estreito de Ormuz não for reaberto até terça-feira. O Irã reagiu às declarações americanas, classificando-as como agressivas e prometendo retaliação.
Medidas do governo brasileiro
No Brasil, a alta do petróleo levou o governo a anunciar novas medidas para reduzir os efeitos do encarecimento dos combustíveis. As medidas devem valer ao menos entre este mês e maio. O plano inclui ações para diminuir as oscilações no preço do diesel e reduzir impactos sobre o gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, e o querosene de aviação (QAV). Também estão previstas linhas de crédito para companhias aéreas.
O custo estimado é de R$ 4 bilhões — sendo R$ 2 bilhões bancados pela União e outros R$ 2 bilhões pelos Estados e pelo Distrito Federal. As medidas específicas anunciadas são:
- Zerar PIS/Cofins para as empresas aéreas, gerando uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível.
- Prorrogar o pagamento da tarifa de navegação, com as empresas pagando apenas em dezembro as tarifas da Força Aérea Brasileira referentes aos meses de abril, maio e junho.
- Abrir duas linhas de crédito, incluindo uma com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), com valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas.
A pressão sobre os preços vem após a Petrobras elevar em mais de 50% o valor do combustível, refletindo a alta do petróleo no cenário internacional em meio à guerra no Oriente Médio. O setor aéreo alerta para impactos relevantes, enquanto o governo tenta reduzir os efeitos para consumidores.
Dados de mercado e projeções
No mercado financeiro, o dólar acumula queda de 0,25% na semana, 0,62% no mês e 6,24% no ano. Já o Ibovespa tem acumulado positivo de 0,06% na semana, 0,37% no mês e 16,78% no ano. Analistas do mercado financeiro voltaram a elevar a projeção de inflação para 2026 pela quarta semana seguida, segundo o Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BC). A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 4,36%, pressionada principalmente pela alta do petróleo.
Apesar disso, o mercado manteve a expectativa de queda da taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano, com previsão de 12,5% no fim de 2026. As projeções para o PIB seguem estáveis, com crescimento de 1,85% neste ano, e no câmbio também não mudou, com o dólar estimado em R$ 5,40 ao fim de 2026.
Cenário global
Em Wall Street, os mercados fecharam em alta, diante do possível cessar-fogo entre EUA e Irã. O índice Dow Jones subiu 0,35%, enquanto o S&P 500 avançou 0,45% e o Nasdaq teve ganho de 0,54%. Já as bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta segunda, com investidores acompanhando as tensões entre EUA e Irã, mas dando mais peso à possibilidade de um acordo de paz. No Japão, o principal índice, o Nikkei, subiu 0,55%, enquanto na Coreia do Sul o KOSPI avançou 1,36%.
Mesmo após novas ameaças do presidente Donald Trump, o mercado reagiu com relativa calma, apostando que negociações podem evitar uma escalada maior do conflito. Enquanto isso, os confrontos continuam na região, com ataques envolvendo também Israel e outros países do Golfo, ampliando o risco de impacto na economia global, especialmente via inflação e energia.



