Banco Mundial reduz projeção do PIB do Brasil para 2025 e 2026
Banco Mundial corta previsão de crescimento do Brasil

O Banco Mundial realizou um ajuste para baixo em suas previsões de crescimento para a economia brasileira nos próximos anos, refletindo um cenário de desafios tanto internos quanto externos. A instituição financeira internacional revisou suas estimativas em seu mais recente relatório de perspectivas globais, divulgado em 13 de janeiro de 2026.

Os números da revisão: corte no crescimento

Para o ano de 2025, a projeção de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi reduzida de 2,4% para 2,3%. A revisão para 2026, no entanto, foi mais expressiva: a previsão caiu de 2,2% para apenas 2%. A estimativa para 2027, por sua vez, manteve-se inalterada em 2,3%.

Embora, em uma perspectiva histórica, esse ritmo de expansão possa ser considerado razoável para um país com desafios estruturais de longa data, o Banco Mundial alerta que ele é insuficiente para atender às demandas fiscais e sociais do país. O crescimento projetado não seria capaz de alterar de forma decisiva a trajetória da dívida pública nem sustentar uma expansão mais vigorosa do investimento privado.

Os motivos por trás do corte: juros, comércio e incerteza

O diagnóstico que acompanha a revisão aponta uma combinação de fatores que pressionam a atividade econômica. O principal deles é o peso dos juros reais elevados. Apesar da expectativa de algum alívio na política monetária no futuro, o Banco Mundial avalia que o custo do dinheiro deve permanecer em um patamar alto. Atualmente, a taxa Selic se encontra em 15% ao ano.

Esse cenário de crédito caro se soma a "ventos contrários relacionados ao comércio" internacional e a um ambiente global marcado por elevada incerteza. Essa tríade negativa tende a conter tanto os investimentos das empresas quanto o desempenho das exportações brasileiras. O relatório destaca que o cenário externo pesa cada vez mais sobre as perspectivas domésticas.

Riscos ampliados para a América Latina

O alerta do Banco Mundial se estende a toda a região da América Latina e Caribe, onde os riscos para o crescimento estão inclinados para o lado negativo. Dois fatores externos preocupam:

  • A retomada de uma agenda comercial mais agressiva pelos Estados Unidos, associada às tarifas anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump.
  • A desaceleração do crescimento econômico global.

Essa combinação deve pressionar os preços internacionais das commodities, base da exportação de muitos países da região. Trata-se de um golpe duplo: a receita de exportação cai justamente quando os níveis de endividamento público já se encontram elevados, limitando a capacidade dos governos de reagir com políticas de estímulo.

Em resumo, o relatório pinta um quadro de moderação forçada para o Brasil. O crescimento, embora positivo, deve ficar abaixo do potencial necessário para resolver desafios históricos, enquanto a economia navega entre os juros domésticos e as tempestades do comércio internacional.