Azul fecha acordo de US$ 300 milhões com American, United e credores em recuperação judicial
Azul recebe US$ 300 milhões de American, United e credores

Azul Linhas Aéreas anuncia aporte de US$ 300 milhões em meio à recuperação judicial

A Azul Linhas Aéreas divulgou nesta quarta-feira (18) três acordos estratégicos que totalizam US$ 300 milhões em investimentos, provenientes de duas grandes companhias aéreas norte-americanas e de um grupo de credores existentes. Este movimento financeiro ocorre dentro do processo de recuperação judicial que a empresa brasileira iniciou nos Estados Unidos em maio de 2025, buscando reestruturar sua dívida e fortalecer sua posição no mercado.

Detalhes dos investimentos das companhias aéreas norte-americanas

Segundo o comunicado oficial enviado ao mercado, a American Airlines e a United Airlines serão as principais investidoras, cada uma aportando US$ 100 milhões. Em contrapartida, espera-se que ambas recebam ações da Azul, tornando-se assim acionistas da companhia brasileira. Este acordo reforça os laços estratégicos já existentes e demonstra confiança no futuro da empresa, mesmo em um momento delicado de reestruturação financeira.

Acordo adicional com credores e estratégia de conversão de dívida

Além das duas gigantes da aviação, a Azul firmou um terceiro acordo com "determinados credores existentes", que injetarão mais US$ 100 milhões. Embora a empresa não tenha detalhado a identidade desses credores, o plano geral envolve a conversão de parte das dívidas em ações, uma estratégia que visa transformar credores em acionistas, eliminando o pagamento de juros e aliviando o fluxo de caixa.

Para viabilizar essa conversão, a Azul lançou uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações, divididas entre ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto). No entanto, essa manobra resultou em uma significativa diluição do valor das ações, causando uma queda de até 70% na Bolsa de Valores em 8 de janeiro deste ano, devido ao aumento do número de papéis em circulação.

Andamento do processo de recuperação judicial e perspectivas futuras

A companhia aérea, cujo principal hub está localizado em Campinas, foi questionada sobre se esses investimentos serão suficientes para concluir o processo de recuperação judicial, mas não respondeu até o momento da publicação. Em seu comunicado, a Azul afirmou: "A Azul manterá seus acionistas, clientes, tripulantes e o mercado informados sobre todos os desdobramentos relevantes do processo de reestruturação, na medida e nos momentos que entender necessários, em total conformidade com as leis e regulamentações aplicáveis".

Em dezembro de 2025, a empresa já havia anunciado uma importante conquista: o Tribunal nos Estados Unidos aprovou seu plano de reorganização, com mais de 90% de aprovação de todas as classes de credores elegíveis. Isso abriu caminho para a conclusão do processo já no início de 2026, após a finalização das transações previstas, que incluem a redução de mais de US$ 3 bilhões em dívidas, obrigações com arrendamentos, juros anuais e custos recorrentes com frota.

Quando a recuperação judicial foi iniciada, a Azul destacou que o processo nos Estados Unidos permite que a empresa continue operando normalmente, atendendo seus públicos de interesse enquanto ajusta sua estrutura financeira nos bastidores. A medida conta com o apoio de principais stakeholders, incluindo detentores de títulos, a maior arrendadora AerCap, e os parceiros estratégicos United Airlines e American Airlines.