Resgate de mergulhadores mortos em caverna nas Maldivas ganha reforço
Resgate de mergulhadores mortos em caverna nas Maldivas

A missão de resgate nas Maldivas que localizou nesta segunda-feira (18) os corpos dos quatro mergulhadores italianos desaparecidos contou com um time de especialistas em cavernas e durou cerca de três horas. Os detalhes foram divulgados pelo grupo europeu de mergulhadores de emergência Divers Alert Network (DAN), do qual fazem parte os três finlandeses que encontraram os corpos.

Equipe de resgate

A equipe formada pelos mergulhadores Sami Paakkarinen, Jenni Westerlund e Patrik Grönqvist uniu-se às Forças de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF), responsáveis pelas buscas no atol de Vaavu. Segundo comunicado do DAN, a operação foi tecnicamente exigente, emocionalmente desafiadora e operacionalmente complexa. O local das buscas envolve áreas submarinas onde nem sequer mergulhadores de resgate costumam entrar.

Detalhes da operação

Ao todo, cinco mergulhadores italianos morreram, mas o corpo de um deles já havia sido resgatado na semana passada. Agora, os quatro desaparecidos foram localizados e seus corpos devem ser retirados da caverna submarina nesta terça (19) e quarta (20). Além dos italianos, um mergulhador que participava das buscas também morreu. O sargento-major Mohamed Mahudhee sofreu um problema de descompressão no sábado (16) durante as buscas e não resistiu.

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Mergulho de alta complexidade

O mergulho de resgate desta segunda-feira (18) começou cerca de 4h30 (horário de Brasília) e durou aproximadamente três horas na caverna de Dhekunu Kandu, no atol de Vaavu, nas Maldivas. Formado por pequenas ilhas, recifes de coral e canais oceânicos profundos, o atol de Vaavu fica no Oceano Índico, a cerca de 65 quilômetros da capital Malé. Segundo a DAN, além de localizar os corpos, os mergulhadores mapearam as condições do local para planejar uma futura operação de retirada, que será extremamente delicada.

De acordo com o governo italiano, os turistas morreram enquanto exploravam cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade. Na região, a profundidade recomendada para mergulho recreativo gira em torno de 30 metros.

Tecnologia utilizada

Para concluir a missão, a equipe usou equipamentos avançados de mergulho técnico, incluindo os chamados rebreathers de circuito fechado, um equipamento que recicla o gás respiratório exalado pelo mergulhador. O sistema remove o dióxido de carbono por meio de um filtro químico e repõe automaticamente o oxigênio metabolizado. Isso permite mergulhos significativamente mais longos, produção mínima de bolhas, consumo reduzido de gás e controle preciso da composição do gás respiratório. Essas tecnologias permitiram que os mergulhadores realizassem um mergulho prolongado em uma caverna profunda com maior margem de segurança.

Experiência da equipe

Segundo a DAN, os três especialistas têm ampla experiência em mergulho técnico, exploração de cavernas e operações de busca e resgate em ambientes de alto risco. Sami Paakkarinen e Patrik Grönqvist participaram de uma complexa operação de recuperação de corpos em cavernas submersas na Noruega, em 2014. Na ocasião, dois mergulhadores finlandeses morreram durante uma expedição no vale de Plura, uma das cavernas submersas mais profundas do mundo, a mais de 100 metros de profundidade. As autoridades norueguesas consideraram a recuperação arriscada demais, mas amigos das vítimas organizaram uma missão própria para retirar os corpos. Essa história inspirou o documentário Diving into the Unknown (Mergulho no desconhecido), lançado na Finlândia.

Jenni Westerlund, a terceira mergulhadora finlandesa da equipe de resgate nas Maldivas, é especializada em operações em cavernas e ambientes profundos. Ela integra equipes internacionais de exploração e resgate e participou de missões consideradas de alta complexidade.

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