A exposição fotográfica 'Sairé - Celebração, louvor e disputa dos Botos', do fotógrafo, cineasta e documentarista Alexandre Baena, chega ao Rio de Janeiro neste mês. A mostra, que já percorreu as cinco regiões do Brasil, será exibida na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) a partir desta sexta-feira (15), às 16h. A exposição retrata a festividade do Sairé, realizada anualmente na Vila de Alter do Chão, em Santarém, no Pará, e destaca os elementos sagrados e profanos da celebração.
Detalhes da exposição
A mostra é uma narrativa visual que explora o louvor à Santíssima Trindade e a lenda dos botos Cor de Rosa e Tucuxi. As imagens capturam a riqueza cultural, a religiosidade e as tradições ancestrais da Amazônia paraense. A exposição já passou por São Paulo, onde a abertura no Museu de Arte Sacra contou com a presença da Corte do Sairé, mesclando fé católica e tradições indígenas Boraris, com cânticos e orações. Também houve apresentações das agremiações dos botos, com rainhas e os próprios botos em versão animal.
Valorização das tradições
A exposição enfatiza a preservação e valorização das tradições que compõem a identidade do Sairé, uma manifestação religiosa de mais de 300 anos que louva o Divino Espírito Santo. O rito religioso conta com a participação de povos tradicionais, ribeirinhos, quilombolas e indígenas Boraris, que realizam a colocação dos mastros, rezas e cantos. Já o lado profano é marcado pela disputa entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, uma celebração importante para a população local.
Alexandre Baena ressalta a mensagem de preservação ambiental presente na mostra. "A necessidade da preservação da casa que habitamos e da coexistência entre a biodiversidade, tudo deve ter equilíbrio e os povos ancestrais buscam a salvaguarda desse equilíbrio", afirma o fotógrafo. Ele destaca que a história do boto, protegido pelos Encantados, traz uma forte mensagem de preservação do meio ambiente e da vida ancestral.
Itinerância da exposição
Em 2025, a exposição percorreu diversas cidades brasileiras, incluindo Brasília (Senado Federal), Curitiba (Universidade Federal do Paraná), Belo Horizonte (CâmeraSete), Salvador (Museu Eugênio Teixeira Leal), Manaus (Centro Cultural Palácio da Justiça), Belém (Galeria Fidanza) e Santarém (Centro Cultural João Fona e Casa Santarém). Em 2026, a mostra retorna ao eixo nacional com passagens por São Paulo, Rio de Janeiro e Belém.
A exposição tem patrocínio da Prefeitura de Santarém, do mandato do Deputado Federal Henderson Pinto, do Governo do Pará (via Banpará, SECULT e SETUR), e apoio do mandato do Senador Jader Barbalho, com realização da MAB Comunicação.
Sobre o artista
Alexandre Baena já realizou 41 exposições itinerantes pelas cinco regiões do Brasil, retratando festas tradicionais como a Marujada de Bragança, o Festribal de Juruti, o Círio de Nazaré e o Sairé de Santarém. Sua exposição 'Juruti - Terra Munduruku e Muirapinima' foi apresentada na COP30 em Belém. Atualmente, também está em exibição a mostra 'Jogos Indígenas do Xingu - rituais pela vida ancestral', na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, até 5 de junho.



