O agronegócio brasileiro recebeu com otimismo a decisão da União Europeia de aprovar a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, anunciada nesta sexta-feira, 9. O tratado, quando efetivado, criará a maior zona de livre comércio do planeta, abrindo novas fronteiras para produtos do campo.
Reação positiva do setor produtivo
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) classificou o anúncio como um avanço relevante para a previsibilidade comercial. A entidade destacou que o acordo fortalece as relações entre os blocos e terá impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
Para a ABPA, a concretização do pacto reforça a imagem do Brasil como um fornecedor global confiável, baseado em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. A visão é compartilhada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), que vê a aprovação como um marco importante após mais de duas décadas de negociações.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, lembrou que as tarifas impostas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado, evidenciaram a necessidade de o Brasil diversificar seus mercados por meio de acordos bilaterais.
Benefícios além das tarifas
Embora commodities como soja em grão, farelo de soja e milho já não enfrentem barreiras tarifárias significativas na UE, o setor de cereais também espera ganhos. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmou que o acordo trará maior previsibilidade, redução de custos e priorização dos produtos brasileiros, aumentando a competitividade do país.
O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, celebrou a aprovação como um passo decisivo. Ele espera que a assinatura ocorra na próxima semana, permitindo a celebração de um momento histórico. Em suas redes sociais, Fávaro afirmou que a parceria criará oportunidades para todo o Mercosul, ampliando os negócios. Ele também ressaltou que as cláusulas de salvaguarda, que são recíprocas, ainda podem ser discutidas durante os processos de negociação futuros.
O ponto de atrito: as salvaguardas
Um dos temas que gerou preocupação no setor agropecuário brasileiro foi a aprovação, pelo parlamento europeu em dezembro, de mecanismos de salvaguarda. Essas regras permitem que a UE suspenda temporariamente os benefícios tarifários concedidos ao Mercosul se entender que algum setor de seu agronegócio local está sendo prejudicado.
Para a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, tais medidas são contraditórias em um acordo que visa justamente a livre circulação de mercadorias. Elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, criando uma sombra de incerteza sobre os ganhos esperados com o tratado.
Apesar desse ponto de tensão, o sentimento predominante é de que a aprovação pela UE representa uma vitória diplomática e comercial crucial. O caminho agora é acompanhar a implementação prática do acordo e trabalhar para que as salvaguardas não se tornem um obstáculo ao pleno potencial deste histórico pacto entre blocos econômicos.