O trabalho persistente de um agricultor mineiro está rendendo frutos literalmente doces e valorizados. Thiago Lima, produtor de abacaxi em Presidente Olegário, na região do Alto Paranaíba em Minas Gerais, transformou sua lavoura em um caso de sucesso após cinco anos de dedicação. Hoje, ele mantém o abastecimento de toda a região e viu o preço da caixa da fruta quadruplicar, um reflexo claro da qualidade conquistada.
Da persistência à prosperidade: a virada no negócio
A trajetória de Thiago não foi sempre fácil. Nos três primeiros anos de atividade, o lucro era praticamente inexistente. Tudo o que era ganho era reinvestido no próprio negócio, uma necessidade imposta pela alta concorrência de outros agricultores locais que também cultivavam abacaxi. Naquela época, com uma oferta muito elevada, o preço de uma caixa de abacaxi chegou a cair para apenas R$ 20, um valor que fez muitos desistirem da cultura.
No entanto, Thiago e seu irmão decidiram manter a fé. "Eu e meu irmão pensamos em manter o mercado porque um dia vai melhorar. Toda fase boa e ruim é passageira. E eu acredito que agora essa fase ruim passou", relembra o produtor. A aposta deu certo. Atualmente, a mesma caixa é comercializada por R$ 80, uma valorização que recompensa a resiliência e a aposta na qualidade.
Os cuidados diários que garantem o sabor único
A produção de Thiago é de grande escala e exige atenção constante. São aproximadamente 30 mil pés de abacaxi ocupando uma área de dois hectares, equivalente a quase três campos de futebol. A colheita ocorre durante um período específico e delicado, que vai desde o início de outubro até janeiro. Se a fruta não for colhida no ponto certo, ela se torna alvo de pragas e fica imprópria para o consumo.
O clima é um dos maiores desafios. Chuvas repentinas, como a que interrompeu uma colheita recente, são vistas com ambivalência pelo produtor. "Primeiro a gente tem que agradecer pela chuva. Mas ela tira um pouco do doce da fruta. Se continuar desse jeito aqui acredito que atrapalha", explica Thiago. Para proteger os frutos e, principalmente, preservar seu sabor característico, ele adota uma técnica especial quando a colheita se aproxima: envolve cada abacaxi com papelão ou jornal. Esse método caseiro impede que o sol forte queime a casca e altere o gosto da polpa, garantindo a doçura que conquistou os clientes.
Reconhecimento do mercado e satisfação do cliente
O esforço meticuloso de Thiago Lima é reconhecido no mercado local. A alta procura e os elogios dos consumidores são a maior recompensa. Uma comerciante da região relatou que é constantemente questionada pelos fregueses se o abacaxi que vende é originário da fazenda dos irmãos Lima, um verdadeiro selo de qualidade informal.
Gratificado com a resposta positiva do público, Thiago conclui com uma lição simples: "Quando você faz uma fruta de qualidade, que vai agradar à clientela, você não tem dificuldade não. Graças a Deus a saída dele é muita". Sua história é um testemunho de como a persistência, somada a técnicas de manejo cuidadosas, pode transformar um negócio agrícola e colocar um produto regional em destaque.