A empresa australiana Meteoric anunciou o início de estudos para a fase de refino de terras raras em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. Atualmente, a companhia opera uma planta-piloto que produz carbonatos de terras raras, um pó branco contendo os 17 elementos químicos do grupo presentes no Planalto de Poços de Caldas. Agora, a empresa busca avançar para a segunda etapa do processo: o refino, que permite a separação individual de cada elemento.
Elementos estratégicos
Segundo a Meteoric, quatro elementos são considerados estratégicos: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Eles são essenciais para a indústria de alta tecnologia, especialmente na produção de superímãs utilizados em motores elétricos e tecnologias ligadas à transição energética. O diretor de sustentabilidade da Meteoric, Éder Santo, explicou que o Brasil ainda não domina a tecnologia necessária para essa etapa do processo.
“Hoje, a produção que existe no Brasil é de carbonato de terras raras. Esse carbonato contém todos os 17 elementos de terras raras. Para utilizar esses metais, cada um com uso específico na indústria de tecnologia e transição energética, é preciso fazer a separação de cada um deles”, afirmou Éder.
Testes em laboratório
A empresa já realiza análises e testes em laboratório para viabilizar a separação, com foco nos elementos de maior valor no mercado mundial. “O próximo passo que a empresa já está estudando é a separação de óxidos dos elementos de terras raras, dentre eles o disprósio, o térbio, o neodímio e o praseodímio, que são os mais valiosos e aplicados em tecnologias de alta demanda no mercado mundial”, disse o diretor.
Licenciamento ambiental
Apesar do avanço nos estudos, a Meteoric destaca que o foco principal continua sendo o licenciamento ambiental do projeto Caldeira, que prevê a extração da argila contendo terras raras e a produção do carbonato em escala industrial. Em março deste ano, a empresa protocolou toda a documentação necessária para solicitar a licença de construção do empreendimento.
“Desde o início do processo de licenciamento do projeto Caldeira, trabalhamos com paciência todos os processos exigidos”, explicou Éder. A etapa de refino permanece em fase de pesquisa, e a ideia é implantar uma planta-piloto de separação dos óxidos, similar à planta-piloto de carbonatos que já produz cerca de 2 quilos por dia.
Disputa global por terras raras
As terras raras ganharam importância estratégica mundial por serem cruciais para tecnologia, energia renovável e defesa, tornando-se alvo de disputas comerciais entre China e Estados Unidos. O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida do mundo, com 21 milhões de toneladas, equivalentes a 23% do total global. O Planalto de Poços de Caldas, com cerca de 800 km², é uma das áreas mais promissoras, pois os minérios estão em argila na superfície, permitindo extração sem grandes escavações. A região pode gerar 300 milhões de toneladas de terras raras, segundo estimativas.



