Experiência de vida impulsiona empreendedores 50+ em Goiás
Experiência de vida impulsiona empreendedores 50+ em Goiás

Em uma padaria na Avenida T-9, em Goiânia, um senhor grisalho observa atentamente a movimentação dos colaboradores. É Antônio Alves de Deus, que aos 64 anos realizou o sonho de empreender no ramo alimentício. Natural de Itaguari, no noroeste de Goiás, ele exemplifica o fenômeno da "economia prateada", termo utilizado pelo Sebrae para descrever o empreendedorismo entre pessoas com mais de 50 anos.

Crescimento expressivo de empresas 50+

De acordo com um boletim do Sebrae divulgado em 2025, o número de empresas com sócios acima de 50 anos em Goiás mais que dobrou na última década: saltou de 107 mil em 2015 para 260,5 mil em 2025. Atualmente, das 903,9 mil empresas ativas no estado, 29% têm sócios nessa faixa etária. Esses empreendedores dividem-se entre os que buscam realizar sonhos (empreendedorismo por oportunidade) e os que precisam de renda extra (empreendedorismo por necessidade).

Realidade financeira dos 60+

Segundo o IBGE, Goiás possui pouco mais de 1 milhão de moradores com mais de 60 anos. A renda média de aposentados e pensionistas é de R$ 2.692, inferior a dois salários mínimos. Thaís Oliveira, gestora do Programa Plural do Sebrae Goiás, explica que muitos idosos empreendem por necessidade, para complementar a renda e arcar com despesas como medicamentos e saúde.

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Planejamento de oito anos: o caso de Antônio

Aberta há 40 dias, a Coralí Pães foi planejada por Antônio durante oito anos. Com 25 anos de experiência no setor de mármore e granito, ele estudou a fundo o novo ramo. Participou da Feira Internacional de Panificação (Fipan) em São Paulo, em 2018, ainda na fase embrionária do projeto. O nome da padaria homenageia a poetisa goiana Cora Coralina, que também foi doceira. A marca foi registrada conforme a legislação de propriedade industrial.

Visão estratégica da maturidade

Thaís destaca que a paciência e o olhar estratégico são vantagens dos empreendedores 50+. "Eles pensam no todo, encadeando áreas como RH, administração, contabilidade e logística", afirma. Antônio, por exemplo, gerencia um time de 90 colaboradores, com ajuda dos filhos Vagner (43) e Valéria (40). Ele acorda às 4h30 e trabalha até as 21h, sete dias por semana, mas planeja delegar funções para reduzir a carga horária.

Taxa de mortalidade zero em cinco anos

Enquanto 20% a 25% das empresas fecham em até dois anos, os negócios de empreendedores 50+ têm taxa de mortalidade de apenas 10%. Em Goiás, segundo o Sebrae, nenhuma empresa desse grupo fechou entre 2020 e 2025. Thaís atribui isso à maturidade emocional e ao planejamento cuidadoso. Antônio, por exemplo, buscou sócios e evitou dívidas excessivas, mesmo com a Selic a 14,5% ao ano.

Desafios e superação

Antônio considera a carga tributária o maior desafio, com impostos e encargos consumindo 18% do faturamento. A falta de capital de giro é outra causa comum de fechamento. Para Thaís, é essencial que o empreendedor busque capacitação e auxílio profissional. "O coração do negócio é o financeiro", alerta. Antônio, com formação técnica em contabilidade, calculou cada investimento e prevê que, em um ano, a padaria estará consolidada.

Equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Antônio planeja morar em uma chácara e visitar a padaria apenas um ou dois dias por semana. Thaís endossa a importância de equilibrar vida pessoal e lazer para a sustentabilidade do negócio. "Dedicar-se intensamente no início é importante, mas depois é preciso delegar", conclui. A experiência de vida dos 50+ é um diferencial para empreender com sucesso.

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