Mato Grosso, um dos principais motores do agronegócio brasileiro, vive um cenário de extremos. De acordo com o Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026), divulgado nesta quarta-feira (20), o estado apresenta forte contraste: enquanto a economia avança impulsionada pelas lavouras, o crescimento econômico ainda não se reflete em qualidade de vida para parte da população do interior. Algumas cidades mato-grossenses figuram entre os piores desempenhos do país.
Os piores índices do estado
Os índices mais baixos foram registrados em Nova Nazaré (48,27), Campinápolis (48,40) e Vila Bela da Santíssima Trindade (48,49). Esses municípios apresentam desempenho considerado baixo, refletindo limitações severas no acesso à educação de qualidade, inclusão social e serviços básicos, especialmente nas dimensões de Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. Junto com Colniza, eles estão entre os 100 piores do país.
Em comparação nacional, Mato Grosso não emplacou nenhum município entre os 100 melhores avaliados. Cuiabá, no entanto, destacou-se no topo do ranking estadual e posicionou-se entre as dez capitais mais bem colocadas do Brasil.
Riqueza no campo, vulnerabilidade nas cidades
Apesar da economia mato-grossense ser impulsionada pelo agronegócio e pela expansão industrial ligada ao setor agrícola, o levantamento aponta grandes desigualdades regionais. Os avanços em serviços essenciais, saúde e estrutura urbana concentram-se nos grandes polos e na capital, enquanto municípios menores e mais afastados dos eixos do agro permanecem em bolsões de vulnerabilidade social.
As cidades com melhor pontuação conseguiram bons resultados no atendimento a necessidades humanas básicas e fundamentos do bem-estar, evidenciando o abismo entre os grandes centros e as regiões isoladas.
PIB industrial triplicou
Nos últimos dez anos, o PIB industrial do estado triplicou, puxado pelos segmentos de alimentos (carne bovina e derivados), bebidas e combustíveis renováveis (etanol de milho), segundo a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT). O PIB industrial foi de R$ 37,7 bilhões, cerca de 16,3% do PIB estadual.
Conforme boletim do Banco do Brasil, a projeção do PIB de Mato Grosso subiu de 4,1% em janeiro para 6,6% em setembro de 2025, colocando o estado acima da média nacional. A combinação entre agropecuária e agroindústria criou um novo ciclo de produção e geração de renda.
Entre os municípios com maior número de estabelecimentos agroindustriais estão: Cuiabá (364 unidades), Sinop (263), Rondonópolis (203) e Várzea Grande (195). Cuiabá e Rondonópolis também aparecem entre os de melhor desempenho no IPS.
O que é o Índice de Progresso Social (IPS)
O IPS mede a qualidade de vida além dos dados econômicos, como o PIB. A metodologia avalia acesso a serviços e condições básicas: saúde, moradia, segurança, educação e oportunidades. São 12 componentes: Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, Água e Saneamento, Moradia, Segurança Pessoal, Acesso ao Conhecimento Básico, Acesso à Informação e Comunicação, Saúde e Bem-Estar, Qualidade do Meio Ambiente, Direitos Individuais, Liberdades Individuais e de Escolha, Inclusão Social e Acesso à Educação Superior.



