Café brasileiro enfrenta desafios no primeiro semestre de 2026 após queda nas exportações
Café brasileiro tem desafios em 2026 após queda nas exportações

Café brasileiro ainda deve enfrentar desafios no primeiro semestre de 2026, avalia presidente do Cecafé

As exportações do grão brasileiro registraram queda significativa em 2025, mesmo com uma receita recorde de cerca de R$ 82,8 bilhões. Este cenário paradoxal revela as complexidades do mercado internacional do café e os obstáculos que o setor nacional precisa superar.

Queda de 20,8% no volume exportado em 2025

A redução de aproximadamente 20,8% no volume exportado já era aguardada pelo setor, sendo motivada principalmente por condições climáticas adversas que diminuíram a produção e pela baixa competitividade do café brasileiro em alguns mercados. Márcio Ferreira, presidente do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), explica que o mundo teve que pagar mais caro pelo café devido a uma alta exacerbada nas bolsas internacionais.

Ferreira destaca que outras origens de café também enfrentam problemas de produção, o que contribuiu para o aumento dos preços. Além disso, os Estados Unidos, um dos principais destinos do café brasileiro, tiveram que repassar custos mais elevados aos consumidores, especialmente durante o período em que vigoraram tarifas específicas para o café verde e seco.

Receita recorde de R$ 82,8 bilhões em meio à queda

Apesar da queda no volume, a receita das vendas internacionais do café brasileiro atingiu a marca histórica de US$ 15,58 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 82,8 bilhões em conversão direta. Este valor representa um crescimento impressionante de 24,1% em relação ao período anterior, demonstrando a valorização do produto no mercado global.

No entanto, Ferreira adverte que alguns números ainda serão atualizados nos próximos dias, especialmente devido à retomada das negociações com empresas americanas após o recuo no chamado tarifaço. Este ajuste pode impactar as estatísticas finais de 2025 e os planejamentos para 2026.

Perspectivas desafiadoras para o primeiro semestre de 2026

O presidente do Cecafé projeta que o setor ainda deve enfrentar um cenário desafiador no primeiro semestre de 2026, principalmente por conta da safra menor. Com um contexto internacional incerto e diversas mudanças em curso, as negociações futuras exigirão estratégias robustas para manter a força do Brasil no comércio exterior.

Um dos pontos críticos analisados por Ferreira é a perda da liderança dos Estados Unidos como principal destino do café brasileiro, sendo substituído pela Alemanha. Esta mudança reforça a necessidade de abertura de novos mercados e de investimentos contínuos no setor para garantir uma consolidação maior da presença brasileira no mercado global.

Estratégias para fortalecer o setor cafeeiro

Para enfrentar esses desafios, Ferreira enumera algumas medidas essenciais:

  • Desenvolver uma estrutura sólida e eficiente para a produção e exportação
  • Disponibilizar linhas de crédito acessíveis com juros mais baixos
  • Fortalecer a diplomacia comercial, evitando confrontos desnecessários
  • Ampliar a presença em mercados emergentes e tradicionais

O presidente do Cecafé ressalta que o governo brasileiro tem atuado para criar condições favoráveis, mas é fundamental que o setor privado também invista em inovação e competitividade. Com uma abordagem estratégica e colaborativa, o café brasileiro pode superar os obstáculos e se consolidar ainda mais no cenário internacional, conclui Ferreira.

As expectativas para os próximos anos são cautelosamente otimistas, mas dependem de uma combinação de fatores econômicos, climáticos e políticos que moldarão o futuro do agronegócio cafeeiro no Brasil.