Um embate público entre dois dos empresários mais famosos do mundo colocou em evidência os desafios de oferecer internet de alta velocidade durante voos comerciais. De um lado, Michael O'Leary, o sempre direto CEO da RyanAir. Do outro, Elon Musk, fundador da SpaceX e da Starlink. A discussão, que começou com argumentos técnicos sobre custos e aerodinâmica, rapidamente descambou para ataques pessoais.
O início do conflito: custo versus conveniência
A polêmica começou quando Michael O'Leary explicou à agência de notícias Reuters os motivos que o levam a não instalar os terminais da Starlink nos aviões de sua companhia aérea. O executivo foi categórico: ele acredita que os passageiros de voos de curta duração, que são a espinha dorsal da RyanAir, não estariam dispostos a pagar por acesso à internet.
Além da relutância do consumidor, O'Leary apresentou um argumento técnico-econômico. A instalação do sistema, que inclui uma antena no topo da aeronave, geraria um custo anual estimado entre 200 e 250 milhões de dólares. Esse valor, se repassado aos clientes, significaria cerca de um dólar a mais por passagem. Para a RyanAir, que opera com margens apertadas e preços ultracompetitivos, esse custo extra é proibitivo.
O CEO também citou um impacto operacional: o peso e o arrasto aerodinâmico adicionais da antena da Starlink levariam a um maior consumo de combustível, encarecendo ainda mais a operação.
A réplica de Musk e a escalada da tensão
Elon Musk não deixou a crítica passar em branco. Usando sua própria rede social, X (antigo Twitter), o bilionário respondeu em 15 de janeiro de 2026, afirmando que O'Leary estava "mal informado".
Musk questionou a capacidade da RyanAir de medir com precisão a diferença no uso de combustível, especialmente em voos de uma hora. Ele argumentou que o arrasto incremental seria "basicamente zero durante a fase de subida devido ao elevado ângulo de ataque". Além disso, defendeu que a solução da Starlink traria ganhos de eficiência em comparação com outras alternativas de conectividade aérea.
O contra-ataque furioso de O'Leary
A resposta de Musk parece ter irritado profundamente o líder da RyanAir. Em uma entrevista concedida à rádio irlandesa Newstalk, O'Leary disparou contra o rival. "O que o Elon Musk sabe sobre voos e arrasto é zero", afirmou, rejeitando os argumentos técnicos.
Mas o executivo não parou nos detalhes operacionais. A crítica tornou-se profundamente pessoal. O'Leary desdenhou do hábito de Musk de passar tempo nas redes sociais, chamando a plataforma X de "fossa". "Francamente, eu não prestaria atenção a nada do que o Elon Musk diz naquela fossa que ele tem chamada de X", declarou.
O ataque atingiu seu ápice quando O'Leary associou Musk ao apoio à candidatura de Donald Trump e proferiu: "Não prestaria qualquer atenção a Elon Musk. É um idiota. Muito rico, mas ainda é um idiota".
Para finalizar, o CEO da RyanAir reforçou seu distanciamento do mundo digital, afirmando não ter contas em redes sociais e se declarando "muito velho para me envolver na fossa que são as redes sociais", preferindo focar seu tempo na gestão da companhia aérea.
O que fica do embate?
Mais do que uma simples troca de farpas, o conflito entre O'Leary e Musk ilustra um dilema real da aviação comercial de baixo custo: até que ponto a tecnologia a bordo, mesmo desejável, é economicamente viável quando o preço final é o principal motor de venda?
Enquanto a Starlink busca expandir seu mercado para a aviação, a RyanAir mantém sua posição de que, em seu modelo de negócios, o passageiro não está disposto a pagar por serviços extras como Wi-Fi. A discussão técnica sobre arrasto aerodinâmico e consumo de combustível permanece em aberto, mas a decisão comercial, pelo menos por ora, parece clara para a low-cost irlandesa.
O episódio também mostra como discussões de negócios podem rapidamente se transformar em conflitos pessoais na era das redes sociais, especialmente quando envolvem figuras com personalidades tão fortes e públicas quanto as de Michael O'Leary e Elon Musk.