Setor de máquinas agrícolas enfrenta retração e projeta cenário difícil para 2026
O setor de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiro atravessa um período de significativa retração que se confirmou nos primeiros meses deste ano. Entre janeiro e fevereiro, as indústrias do segmento faturaram aproximadamente R$ 8 bilhões, representando uma queda de 17% em comparação com o mesmo período de 2025. Este cenário desafiador é marcado por problemas macroeconômicos que, segundo especialistas, devem persistir ao longo de todo o ano de 2026.
Abimaq alerta para pior desempenho do setor
Cristina Zanella, diretora da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), confirmou a situação preocupante. "O setor de máquinas agrícolas é um dos setores que têm registrado pior desempenho nesse início de ano, nesse primeiro bimestre", afirmou. O movimento desta indústria funciona como um importante termômetro para todo o agronegócio, influenciando até mesmo grandes eventos como a Agrishow, que acontecerá entre 27 de abril e 1º de maio em Ribeirão Preto (SP). Na última edição, o evento movimentou mais de R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios.
Principais fatores que impactam as vendas
Os especialistas apontam três fatores principais que estão determinando a queda nas vendas de máquinas agrícolas:
- Câmbio e commodities: A valorização do real frente ao dólar tem um efeito duplo. Embora facilite o acesso a insumos importados e exportações, reduz a rentabilidade dos produtores rurais, pois as commodities ficam desvalorizadas no mercado internacional. "O câmbio em janeiro do ano passado estava a R$ 6,20, ele veio caindo e chegou a R$ 5,10 agora em janeiro. E isso diminui muito a rentabilidade do agricultor", explica Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da câmara setorial de máquinas agrícolas da Abimaq.
- Taxa de juros e prioridade no custeio: A elevada taxa de juros do país, atualmente acima dos 14%, representa um obstáculo significativo para investimentos em equipamentos caros que exigem financiamento. Mesmo em linhas com juros subsidiados, como o Programa Moderfrota, as taxas permanecem altas, em torno de 13,5%. Consequentemente, os produtores estão priorizando o custeio da produção em vez de novos investimentos. Além disso, os bancos estão mais seletivos na concessão de crédito devido ao aumento da inadimplência.
- Conflitos internacionais: A guerra entre EUA/Israel e Irã pode trazer impactos indiretos, como aumento nos preços do diesel e produtos de adubação, caso a crise se prolongue. "Se a guerra esticar, aí vamos ter um efeito prolongado, que é aumento de custo lá para o agricultor", alerta Bastos de Oliveira.
Perspectivas para o futuro
Diante deste cenário, o setor projeta um ano de 2026 desafiador, com a necessidade de os produtores e indústrias se adaptarem às condições macroeconômicas adversas. A compreensão de como variáveis como juros, câmbio e preços das commodities afetam a rentabilidade será crucial para a recuperação futura. A Abimaq continua monitorando de perto a situação, destacando a importância de políticas que possam amenizar os efeitos negativos sobre um dos pilares da economia brasileira.



