Conflito geopolítico impacta fortemente as exportações de carne bovina brasileira para o Oriente Médio
As crescentes tensões no Oriente Médio, envolvendo principalmente Estados Unidos, Israel e Irã, estão gerando sérias dificuldades de navegação que afetam diretamente o agronegócio brasileiro. Dados recentes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) revelam quedas expressivas nas vendas de carne bovina para mercados-chave da região.
Quedas acentuadas nos principais destinos
Em março, as exportações de carne bovina para os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior comprador brasileiro no Oriente Médio, despencaram 49% em volume em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O Egito, principal destino regional, registrou queda de 16%, enquanto a Arábia Saudita apresentou retração menor de 7,6%.
Outros países da região também sofreram reduções significativas:
- Catar: -55,3%
- Jordânia: -44,8%
- Iraque: -42,5%
- Kuwait: -34,4%
Desempenho geral positivo apesar das dificuldades regionais
Apesar das quedas no Oriente Médio, as exportações totais de carne bovina do Brasil apresentaram crescimento de 9,1% em volume em março, totalizando 270,8 mil toneladas. Em termos de receita, o avanço foi ainda mais expressivo: 26% de aumento, alcançando US$ 1,48 bilhão.
Os principais mercados que impulsionaram esse crescimento foram:
- China: 335,3 mil toneladas (+41,8%)
- Estados Unidos: 107,4 mil toneladas (+13,4%)
- Chile: 39,0 mil toneladas (+4,9%)
- União Europeia: 26,0 mil toneladas (+3,2%)
- Rússia: 33,9 mil toneladas (+4,2%)
Setor de frango também sente os efeitos do conflito
O setor de carne de frango também registrou impacto negativo. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas para o Oriente Médio caíram 18,5% em volume em março comparado a fevereiro, mês anterior à escalada do conflito.
A Arábia Saudita, principal destino regional, importou 38,7 mil toneladas de frango em março, volume 5,3% menor que no mesmo período do ano anterior. Apesar disso, o desempenho geral do setor foi positivo, com exportações totais de 504,3 mil toneladas em março, representando alta de 6% em relação ao mesmo período de 2025.
Rotas alternativas mantêm fluxo comercial
"Apesar da queda comparativa registrada no Oriente Médio, os expressivos volumes comprovam que o fluxo de exportações segue acessando a região por meio das rotas alternativas", analisa Ricardo Santin, presidente da ABPA. "São mais de 100 mil toneladas enviadas aos mercados da região no mês de março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz".
Santin destaca ainda que "as gestões de facilitação realizadas pelo Ministério da Agricultura e pelo setor têm sido efetivas, garantindo oferta de alimentos para as áreas hoje atingidas pela Guerra do Golfo. No restante dos mercados, a demanda segue crescente, em especial, nos principais destinos da Ásia".
A situação no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio marítimo, continua sendo monitorada de perto, com relatos de que a circulação de navios voltou a ocorrer após cessar-fogo, embora tenha havido novo fechamento pelo Irã posteriormente.



