Lula defende proibição das apostas eletrônicas no Brasil para combater endividamento e vício
Lula quer proibir apostas eletrônicas no Brasil

Lula defende proibição das apostas eletrônicas no Brasil para combater endividamento e vício

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, nesta quarta-feira (8), uma posição firme a favor da proibição das apostas eletrônicas de quota fixa, conhecidas como bets, em território brasileiro. Durante entrevista ao canal ICL Notícias, o mandatário expressou profunda preocupação com o crescente nível de endividamento da população e o agravamento de problemas de saúde pública decorrentes do vício em jogos de azar.

Preocupação com endividamento e saúde pública

"Se depender de mim, a gente fecha as bets", afirmou Lula, ressaltando que uma decisão final sobre o tema depende de uma articulação cuidadosa com o Congresso Nacional. Ele acrescentou: "Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país. Isso leva a sociedade a cometer desvios". O presidente argumentou que o endividamento no Brasil tem raízes nos baixos salários, mas está sendo potencializado pela promessa de "ganho rápido" oferecida pelas apostas.

Lula destacou os impactos devastadores do vício, mencionando casos de pessoas que perderam bens como carros e casas, e até mesmo aquelas que cometeram suicídio. "Todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais, mas quando a pessoa está viciada no jogo, tem que tratar isso como uma questão de saúde", lamentou, enfatizando a necessidade de abordar o problema como uma crise de saúde pública.

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Influência do setor e comparações históricas

O debate político em torno da proibição é complexo, segundo Lula, devido à forte influência do setor de apostas, que financia parlamentares e partidos políticos. Ele comparou a situação atual com a proibição histórica dos cassinos físicos e do jogo do bicho no país, argumentando que a tecnologia derrubou barreiras que antes protegiam as famílias.

"Eu passei toda minha vida ouvindo dizer que não era possível ter jogo de azar, ter cassino, o jogo do bicho era contravenção. Hoje o cassino está dentro da sua casa, com o seu filho de 10 anos [...] utilizando o celular do pai que é contra o jogo de azar, gastando dinheiro desnecessário e enricando as bets", explicou o presidente.

Contexto legal e impactos econômicos

Desde 2018, as apostas de quota fixa em eventos esportivos são legalizadas no Brasil pela Lei 13.756/2018. O atual governo regulamentou a atividade em 2023 com a Lei 14.790/2023, que também legalizou os jogos online dessa modalidade. O Ministério da Fazenda recebeu a competência de regular o setor e criou, em 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas, publicando dezenas de portarias com regras específicas.

Enquanto Lula defende o fim das bets, a regulamentação e ampliação de cobranças sobre o setor têm alavancado a arrecadação governamental. De acordo com a Receita Federal, em janeiro e fevereiro deste ano, a tributação sobre apostas online e jogos de azar gerou R$ 2,5 bilhões, contra R$ 756 milhões no primeiro bimestre do ano passado, representando um crescimento de 236% na comparação anual.

Rebatendo argumentos a favor das apostas

Ao rebater o argumento de que clubes de futebol dependem dos patrocínios dessas empresas, Lula lembrou que "o futebol viveu um século e meio sem as bets", sugerindo que o esporte pode se sustentar por outras vias. O governo está estudando propostas para ajudar as famílias a quitar dívidas, mas o presidente insiste que a proibição das apostas é um passo crucial para proteger a sociedade dos riscos financeiros e de saúde associados ao vício.

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